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O Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa, realizado no dia 13 de dezembro, voltou a reunir música, espiritualidade e comunidade num dos momentos mais aguardados da programação cultural natalícia. A Igreja da Lapa proporcionou o cenário ideal para uma noite marcada pelo profundo simbolismo da época.

A interpretação esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu o concerto com grande sensibilidade musical. O elenco de solistas reuniu as vozes de Alexandra Quinta e Costa (soprano), Ella Feldmeier (mezzo-soprano), Marco Alves dos Santos (tenor) e Hugo Oliveira (baixo), cujas interpretações se destacaram pela expressividade e perfeita integração com a orquestra e o coro.

O núcleo central do repertório foi a Cantata de Natal (1ª parte - Cantatas I e II) de Johann Sebastian Bach, uma das obras mais emblemáticas do período barroco e profundamente ligada à celebração litúrgica do Natal. Estruturada em várias cantatas destinadas aos dias festivos entre o Natal e a Epifania, a obra combina coros de grande solenidade com árias e recitativos de intensa carga espiritual. A música de Bach, simultaneamente majestosa e intimista, convidou o público a uma vivência profunda do mistério do Natal, num diálogo constante entre texto, música e fé.

O Coro Polifónico da Lapa, preparado e dirigido pelo maestro Filipe Veríssimo, teve um papel determinante na construção sonora da obra, revelando uma sonoridade que enriqueceu todo o programa.

O concerto culminou com o tema Adeste Fideles, tradicionalmente atribuído a D. João IV, momento particularmente emotivo que contou com a participação do público. Este gesto simbólico transformou a interpretação final num verdadeiro momento de comunhão, unindo intérpretes e ouvintes num cântico coletivo de celebração e esperança.

A noite encerrou sob fortes aplausos e num ambiente de grande emoção, reafirmando o Concerto de Natal na Igreja da Lapa como uma tradição viva, onde a música se alia ao espírito natalício e à partilha comunitária.


Foto de Capa: @pedro.couto


Excerto do Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa
Som gravado ao vivo pela Orquestra Filarmónica Portuguesa

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As comemorações dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões e dos 250 anos de Domingos Bomtempo ganharam particular relevância com a realização de dois concertos dedicados ao Requiem ''À Memória de Camões'', obra emblemática de Bomtempo e homenagem singular ao poeta maior da língua portuguesa.

O primeiro concerto decorreu na Igreja de S. João Novo, no Porto, cuja atmosfera reforçou a densidade espiritual da composição. A interpretação reuniu um conjunto de solistas portugueses - Sofia Marafona (soprano), Helena Ressurreição (mezzo-soprano), Leonel Pinheiro (tenor) e Job Tomé (barítono). O Coro Polifónico da Lapa, preparado pelo maestro Filipe Veríssimo, apresentou-se com expressividade, acompanhado pela Orquestra Filarmónica Portuguesa. A direção de Osvaldo Ferreira evidenciou, o equilíbrio entre recolhimento e luminosidade que perpassa a obra.

O segundo concerto teve lugar na Igreja da Misericórdia de Santa Maria da Feira, oferecendo uma leitura da partitura através de um elenco internacional de solistas: Fleur Franssen (soprano), Ella Feldmeier (mezzo-soprano), Gregor Reinhold (tenor) e Ejnar Čolak (barítono). O Coro Polifónico da Lapa, e a Orquestra Filarmónica Portuguesa asseguraram uma interpretação coesa, mantendo o rigor sublinhado pela direção de Osvaldo Ferreira.

Em ambas as apresentações, o Requiem À Memória de Camões afirmou-se como uma peça fundamental do património sacro português e como ponte simbólica entre duas figuras essenciais da cultura nacional. A celebração conjunta dos legados de Camões e Bomtempo sublinhou e reforçou a necessidade de preservar e difundir a riqueza do património musical português.

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A região do Grande Porto testemunhou um raro momento de confluência artística com a apresentação de um ciclo de quatro concertos dedicados ao Ein deutsches Requiem (Um Requiem Alemão), de Johannes Brahms. Distribuídos entre o Porto, Freamunde, Valongo e Maia, estes encontros musicais ofereceram ao público a oportunidade de reencontrar uma das obras corais-sinfónicas mais emblemáticas do romantismo, interpretada por um conjunto de excelência sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira.

A iniciativa, que reuniu o Coro Polifónico da Lapa, o Coro da Associação de Música Sacra de Braga e a Orquestra Filarmónica Portuguesa, destacou-se pela ambição artística e pela capacidade de levar uma obra de grande fôlego sinfónico a diversas comunidades da região. O soprano Nataliya Stepanska e o barítono Job Tomé completaram o elenco, contribuindo com interpretações de forte intensidade expressiva.

Longe do modelo tradicional, a obra de Brahms assenta numa seleção pessoal de textos bíblicos que procuram refletir sobre a fragilidade humana, o consolo espiritual e a possibilidade de esperança. Essa abordagem, centrada mais na experiência existencial do que na liturgia, exige dos intérpretes uma particular maturidade artística e sensibilidade estética.

Ao longo dos quatro concertos, essa vertente espiritual revelou-se sempre presente. O maestro Osvaldo Ferreira conduziu a Orquestra Filarmónica Portuguesa com uma leitura minuciosamente construída, mantendo um diálogo constante e orgânico com os dois coros envolvidos.

A natureza itinerante do projeto permitiu que cidades com perfis culturais distintos acolhessem um evento de reconhecido nível artístico. Cada apresentação adquiriu, assim, características próprias, moldadas tanto pelas especificidades dos espaços como pelo contacto direto com diferentes comunidades. Em todas, porém, a receção do público foi calorosa, evidenciando a força intemporal da obra de Brahms.

Mais do que quatro concertos, o ciclo configurou um gesto cultural coerente e estruturante, aproximando a comunidade de uma criação monumental e reforçando o valor de iniciativas que atravessam fronteiras municipais e enraízam a música sinfónica em múltiplos contextos. Um marco que abre caminho a futuras colaborações e a projetos de semelhante ambição artística.

Foto de Capa: Iryna Aleshchenko


Masterclasse de Direção de Coro e Orquestra
Entre 23 de outubro e 1 de novembro, o FIOMS (Festival Internacional de Órgão e Música Sacra) promoveu, em parceria com a Orquestra Filarmónica Portuguesa, uma masterclasse internacional de direção dedicada à interpretação do Requiem Alemão, de Johannes Brahms. Orientada pelo maestro Osvaldo Ferreira, a formação integrou sessões teóricas e práticas, culminando numa apresentação pública da obra.

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Foi perante um público caloroso que, na noite de ontem, o Coro Polifónico da Lapa apresentou mais um concerto memorável em homenagem a D. Pedro IV, o Rei-Soldado que mudou para sempre a história de Portugal e do Brasil.

O espetáculo contou com a participação do Coro da Associação de Musica Sacra de Braga, da Banda do Exército (destacamento do Porto), dos solistas Alexandra Quinta e Costa (soprano) e João Reis (barítono), e de João Veríssimo ao piano, sob a direção do maestro Artur Cardoso.

Em conjunto, interpretaram obras de profunda simbologia, que evocam a esperança na vida eterna e a serenidade da morte como passagem. Destacou-se uma interpretação de excelência de Liberation, de David Maslanka (1943-2017) - um cântico de poderosa evocação espiritual. Seguiu-se o sublime Requiem de Gabriel Fauré (1845-1924), peça que nos eleva ao transcendente e nos une numa experiência de profunda comunhão.

A noite, repleta de significado, culminou com a entoação do Hymno de La' Carta de D. Pedro IV (1798–1834), acolhido com uma ovação final cheia de alegria e comoção.

A homenagem foi enriquecida pelas palavras do Padre António José Pereira Leite Júnior, na voz de Agostinho Ribeiro, que proferiu a Oração Fúnebre das Exéquias de S.M.I. o Senhor D. Pedro, Duque de Bragança e Regente de Portugal, datada de 24 de setembro de 1863.

Um momento solene de reflexão sobre os valores que moldaram o nosso passado e que continuam a inspirar o nosso presente.

Vyviane Tavares

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A ''Grande Missa em Dó menor'' de Wolfgang Amadeus Mozart, é uma das suas criações mais ambiciosas no domínio da música sacra. Escrita entre 1782 e 1783, a obra permanece inacabada e envolta em mistério, tanto em relação às razões que levaram o compositor a interrompê-la quanto às circunstâncias exatas da sua primeira apresentação. Ainda assim, a sua grandiosidade e intensidade expressiva fazem dela uma das composições mais admiradas do repertório sacro clássico.

Acredita-se que Mozart tenha começado a compor esta missa como forma de ''promessa ou agradecimento'', possivelmente em consequência do seu casamento com Constanze Weber. A própria Constanze terá cantado a parte de soprano numa das primeiras execuções conhecidas da obra, o que reforça a teoria de que a composição tinha um significado pessoal e espiritual para o compositor.

Em 2025, esta obra monumental voltou a ganhar vida numa série de concertos realizados em quatro localidades do norte de Portugal: Porto, Gondomar, Santa Maria da Feira e Ribeirão. Estes concertos proporcionaram ao público uma rara oportunidade de ouvir ao vivo uma das obras sacras mais sublimes de Mozart.

O elenco de solistas foi composto por intérpretes de reconhecido mérito: Carla Caramujo (soprano I), Alexandra Quinta e Costa (soprano II), Marco Alves dos Santos (tenor) e Tiago Matos (baixo). A prestação vocal foi complementada pelo Coro Polifónico da Lapa, que garantiu uma interpretação emocionante da complexa parte coral. O Mestre Capela da Igreja da Lapa e diretor do Coro, Filipe Veríssimo, assegurou a execussão do órgão, com a mestria que lhe é reconhecida.

A parte orquestral esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, uma das mais prestigiadas do país, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu a obra com rigor e sensibilidade, respeitando o equilíbrio entre o dramatismo barroco e a transparência clássica que caracterizam esta missa.

Estes concertos não só fizeram ressurgir uma das joias do repertório clássico, como também reforçaram o papel das instituições musicais portuguesas na divulgação e valorização do património musical universal. A combinação entre a riqueza da obra e a qualidade dos intérpretes resultou numa experiência artística e espiritual memorável.

A ''Grande Missa em Dó menor'' de Mozart continua, mais de dois séculos depois, a emocionar plateias e a inspirar músicos, provando que mesmo o que fica por terminar pode atingir a plenitude da beleza.

José Seabra


Foto de Capa: Gabinete de Comunicação da Santa Casa da Misericórdia do Porto

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Na tarde do domingo 3 de novembro, após as celebrações de Todos os Santos e Fiéis Defuntos, a igreja da Lapa, no Porto, acolheu, repleta de uma audiência que a encheu até ao Coro, a interpretação da Messa da Requiem de Giuseppe Verdi, por uma conjunto de solistas, coros e orquestra, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira. A associação de três coros (Coro Polifónico da Lapa, dirigido por Filipe Veríssimo, Coro da Associação de Música Sacra de Braga, dirigido por Mariana Certal, e do Coro Pro-Música EMcanto, da Póvoa de Varzim, dirigido por Rui Silva) permitiu uma realização plena da complexa estrutura musical do Requiem, com a interpretação dos solistas Raquel Paulo, soprano, Cátia Moreso, meio-soprano, Sérgio Sousa Martins, tenor e Rui Siva, baixo, com a Orquestra Filarmónica Portuguesa, um conjunto orquestral alargado e complexo, adaptado às características solenes e ao mesmo tempo intimistas da composição de Verdi.

O Requiem de Verdi foi composto à memória do escritor italiano Alessandro Manzoni, autor do conhecido romance I Promessi Sposi (em português com o título Os Noivos), considerado uma obra prima do período romântico e particularmente apreciado por Verdi. O Requiem é uma obra monumental de cerca de hora e meia de duração, seguindo os textos da liturgia dos defuntos do missal romano. Iniciado por uma introdução intimista das palavras do Requiem aeternam, desenvolve-se numa grande variedade de expressões musicais, do sentido meditativo ao aclamativo e denso das palavras, como lux perpetua, salva me fons pietatis, huic ergo parce Deus ou Cum sanctis tuis, Libera me, especialmente valorizadas na interpretação.

O carácter meditativo e intimista que convém à variedade dos sentimentos humanos propostos e traduzidos pelas palavras do hino litúrgico, é associado à dimensão imprecatória do conhecido tema do Dies irae em que o tom operático e solene da escrita do autor se manifestam, quer na totalidade do coro quer na expressividade dos solos.

Há que destacar a exigente interpretação dos solistas. A interpretação do Coro foi claramente reconhecida pelo próprio maestro, que lhes foi oferecer a flores que lhe foram tributadas. Os longos aplausos finais manifestaram o apreço com que a assembleia assinalou a interpretação deste concerto, embora tenha sido pena não se poder dispor da letra dos hinos no programa.

E apesar de a obra ter vindo e ser executada por conjuntos respeitáveis, como o Coro Gulbenkian, a sua presença entre nós, nesta região norte de Portugal, e no quadro do Festival Internacional de Órgão e de Música Sacra, constitui uma afirmação da capacidade da vivência de uma obra ímpar da música sacra e da música universal ser posta, de forma gratuita, ao alcance da população nortenha, sendo de valorizar o empenhamento e dedicação de trabalho que exigiu aos membros dos coros e certamente aos membros da orquestra, aos solistas e ao trabalho de direção e coordenação do conjunto.

Notícia: Voz Portucalense
Artigo disponível: aqui

Foto de Capa: João Lopes Cardoso

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Mais do que Música: o que Construímos Juntos

09-05-2026

Há caminhos que se percorrem com os pés.
E há outros que só se atravessam com alma, coragem e entrega absoluta.

Entre Março e Maio, vivemos uma dessas travessias raras.
Sete concertos. Cinco cidades. Quatro programas distintos. Dois meses de intensidade humana e artística que dificilmente cabem em números mas que ficarão para sempre inscritos na memória de quem os viveu.

Começámos a 14 de Março, na Igreja da Lapa, onde o Nulla in mundo pax sincera, o Magnificat e o Gloria de Antonio Vivaldi abriram este percurso com luz, fé e esperança.

Dias depois, a 17 de Março, a imponência da Casa da Música recebeu a monumental 2.ª Sinfonia de Gustav Mahler, uma obra que exige tudo: técnica, resistência, vulnerabilidade e verdade. E tudo foi dado.

Março terminou e Abril abriu sob a sombra luminosa do Requiem de Wolfgang Amadeus Mozart:
na Casa das Artes de Famalicão,
na Igreja Matriz de São Pedro da Cova,
e novamente na Igreja da Lapa.

Três apresentações. Três encontros diferentes com a mesma eternidade.
Três noites onde a música se tornou silêncio interior, memória e transcendência.

E então Maio trouxe a força telúrica de Carmina Burana, de Carl Orff:
a 7 de Maio no Europarque
e hoje, 9 de Maio, no Teatro Municipal da Guarda.

Mas, pelo meio desta verdadeira maratona artística, houve ainda o compromisso contínuo e silencioso das celebrações dominicais do meio-dia na Igreja da Lapa, momentos menos visíveis, talvez, mas igualmente fundamentais na nossa missão musical e humana.
Com especial emoção, permanecem na memória as celebrações do Domingo da Ressurreição e da Festa de Nossa Senhora da Lapa, vividas com particular intensidade, fé e comunhão.

Mais de 5000 ouvintes cruzaram connosco este caminho.
Mais de 5000 pessoas testemunharam algo que ultrapassa partituras, ensaios, palcos ou aplausos. Porque a verdadeira dimensão deste feito não está apenas na exigência artística alcançada, mas na humanidade que a tornou possível.

Cada músico, cada cantor, cada maestro, cada técnico, cada colaborador, cada pessoa que esteve nos bastidores ou na plateia ajudou a construir algo maior do que um ciclo de concertos: construiu comunidade, memória e sentido.

Foi cansativo. Foi exigente. Por vezes, quase impossível.
Mas a música, quando é feita com verdade, tem esta capacidade extraordinária de unir vontades, superar limites e transformar esforço em beleza.

A todos os que fizeram parte desta caminhada:
obrigado pela disciplina nos dias difíceis, pela generosidade nos momentos decisivos, pela confiança mútua, pela amizade, pela entrega e pela coragem de acreditar que era possível.

O que alcançámos pertence agora à memória destes lugares, destas cidades e destas pessoas.
Mas pertence, acima de tudo, a todos aqueles que ousaram sonhar em conjunto.

E isso ficará muito depois do último acorde se extinguir.

Filipe Veríssimo


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Ser comunidade… Ser Lapa!

07-05-2026

Há coisas que só fazem sentido quando são vividas em conjunto. A comunidade é uma delas.

Na Lapa, aprendemos que pertencer é mais do que estar presente. É cuidar, participar, servir e caminhar lado a lado. É reconhecer que a fé ganha vida no encontro com os outros e que os pequenos gestos, quando feitos com amor, têm um valor imenso.

Ser CPL é precisamente viver esse espírito de proximidade e comunhão. É sentir que cada voz, cada presença e cada contributo ajudam a construir algo maior do que nós próprios. Não somos apenas um coro; somos pessoas unidas pela fé, pela amizade e pela vontade de servir a nossa comunidade.

Foi com esse sentimento que o CPL assumiu a ornamentação do altar de Santo António durante a Festa de Nossa Senhora da Lapa. Mais do que preparar um espaço, foi uma forma simples e sincera de retribuir o carinho com que a comunidade nos acolhe ao longo do ano.

Esta experiência aproximou-nos ainda mais, fortaleceu os nossos laços e recordou-nos da beleza de fazer caminho juntos. Porque, no fim, ser comunidade é isso mesmo: estar disponível, partilhar e construir, uns com os outros, uma casa onde todos se sintam pertencentes.

Ser comunidade é ser Lapa. ❤️


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Tradicional Concerto de Natal na Lapa

20-12-2025

O Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa, realizado no dia 13 de dezembro, voltou a reunir música, espiritualidade e comunidade num dos momentos mais aguardados da programação cultural natalícia. A Igreja da Lapa proporcionou o cenário ideal para uma noite marcada pelo profundo simbolismo da época.

A interpretação esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu o concerto com grande sensibilidade musical. O elenco de solistas reuniu as vozes de Alexandra Quinta e Costa (soprano), Ella Feldmeier (mezzo-soprano), Marco Alves dos Santos (tenor) e Hugo Oliveira (baixo), cujas interpretações se destacaram pela expressividade e perfeita integração com a orquestra e o coro.

O núcleo central do repertório foi a Cantata de Natal (1ª parte - Cantatas I e II) de Johann Sebastian Bach, uma das obras mais emblemáticas do período barroco e profundamente ligada à celebração litúrgica do Natal. Estruturada em várias cantatas destinadas aos dias festivos entre o Natal e a Epifania, a obra combina coros de grande solenidade com árias e recitativos de intensa carga espiritual. A música de Bach, simultaneamente majestosa e intimista, convidou o público a uma vivência profunda do mistério do Natal, num diálogo constante entre texto, música e fé.

O Coro Polifónico da Lapa, preparado e dirigido pelo maestro Filipe Veríssimo, teve um papel determinante na construção sonora da obra, revelando uma sonoridade que enriqueceu todo o programa.

O concerto culminou com o tema Adeste Fideles, tradicionalmente atribuído a D. João IV, momento particularmente emotivo que contou com a participação do público. Este gesto simbólico transformou a interpretação final num verdadeiro momento de comunhão, unindo intérpretes e ouvintes num cântico coletivo de celebração e esperança.

A noite encerrou sob fortes aplausos e num ambiente de grande emoção, reafirmando o Concerto de Natal na Igreja da Lapa como uma tradição viva, onde a música se alia ao espírito natalício e à partilha comunitária.


Foto de Capa: @pedro.couto


Excerto do Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa
Som gravado ao vivo pela Orquestra Filarmónica Portuguesa


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