CPL

info@coropolifonicodalapa.pt

Carla Caramujo

Soprano

Sendo hoje um dos mais destacados sopranos portugueses da sua geração, Carla Caramujo venceu os Concursos Nacional Luísa Todi (Portugal), Musikförderpreis der Hans-Sachs-Loge (Alemanha), Chevron Excellence, Ye Cronies e Dewar Awards (Reino Unido). É licenciada e mestre pelas Guildhall School of Musicand Drama de Londres e Royal Conservatoire of Scotland.

Nas últimas temporadas cantou La Contessa di Foleville em Il viaggio a Reims de Rossini, La Princesse em Orphée de Philippe Glass e estreou a versão sinfónica de Domitila de João Guilherme Ripper no Centro Cultural de Belém (Lisboa), D. Anna em D. Giovanni de Mozart com a Filarmónica de Joanesburgo numa produção do Joburg Theatre, Anjo na Trilogia das barcas de Joly Braga Santos para o Teatro Nacional de S.Carlos (Lisboa), Segunda sinfonia de Mahler e árias de concerto de Mozart com a Orquestra sinfónica portuguesa, Missa em Dó m de Mozart (soprano I) com a Orquestra sinfónica Porto - Casa da música, Quatro últimas canções de Richard Strauss com a Petrobras Sinfónica no TMRJ, Rosalinde em Die Fledermaus com a Orquestra Filarmónica Portuguesa. Apresentou-se em recital na Haus der Musik de Vienna.

Estreou-se como Gilda em Rigoletto, Contessa Folleville em Il viaggio a Reims, Clorinda em La Cenerentola, D. Anna em D. Giovanni, Adele em Die Fledermaus, Lisette em La Rondine e Princesse em L’enfant et les Sortilèges no Teatro Nacional de S. Carlos. Outros papéis e repertório de concerto incluem Violetta em La Traviata, Adina em L’elisir d’amore, Armida em Rinaldo, Königin der Nacht em Die Zauberflöte, Herz em Der Schauspieldirektor, Fiordiligi em Cosi fan tutte, Nena em Lo frate ‘nnamorato e Vespina em Serva Padrona de Pergolesi, Lady Sarashina de Peter Eötvös, Salomé em O Sonho de Pedro Amaral, Flight Controller em Flight de Jonathon Dove, 9ª Sinfonia de Beethoven, Missa em dó menor de Mozart, Carmina Burana, Criação de Haydn, Messias de Händel, Paixão segundo S. João e S. Mateus de Bach, Requiem de Brahms, no Reino Unido (Barbican Center, New Sage Gateshead Music Center, Royal Albert Hall, Royal Theatre of Glasgow e Edinburgh Festival Theatre), República Checa (Smetana Hall), Alemanha (Heidelberg Concert Hall), Teatro Comunale di Bologna (Itália), Uruguai (SODRE), Colômbia (Teatro Mayor), México (Teatro Peón Contreras), Argentina (Usina del Arte) Espanha (Festival Are-more), Gulbenkian, Teatro nacional de S.Carlos, entre as principais Salas e festivais Portugueses.

No Brasil, apresentou-se no Teatro Municipal do Rio de Janeiro no papel de La Princesse em Orphée de Philip Glass numa produção de Philippe Hirsch e Daniela Thomas com regência de Priscila Bomfim e ainda com as quatro últimas canções de Richard Strauss, Quarta sinfonia de Mahler e cartas portuguesas de João Guilherme Ripper com a Petrobras sinfónica sob a batuta de Isaac Karabtchevsky. Interpretou o papel título em A raposinha astuta de Léos Janácek no Theatro S.Pedro numa produção de André Heller-Lopes com direção musical de Ira levin. Apresentou-se em recital com Priscila Bomfim na Sala Cecília Meireles com a integral das Clarières dans le ciel de Lili Boulanger e no Festival internacional de música do Pará com Cinco poemas de Vinicius de Moraes, Domitila e a estreia mundial de Icamiabas de João Guilherme Ripper.

Recentemente, estreou o papel de Mercês em Devoção de João Guilherme Ripper numa produção do Palácio das artes de Belo Horizonte com Lígia Amadio na regência e Ronaldo Zero na direção cénica.

Trabalhou com maestros e encenadores tais como Anne Teresa De Keersmaeker, Emilio Sagi, Paul Curran, Katharina Thalbach, André Heller-Lopes, Annilese Miskimmon, James Bonas, Antonio Pirolli, Hannu Lintu, João Paulo Santos, Julia Jones, Domenico Longo, Joana Carneiro, Isaac Karabtchevsky, José Miguel Esandi, Johannes Stert, Nicholas Kraemer, Marcos Magalhães, Martin Andre, Alexander Polyanichko, Osvaldo Ferreira, Pedro Neves, Pedro Carneiro, Nuno Coelho, Jorge Matta, Yi-Chen Lin e Christian Curnyn.

Gravou para as editoras NAXOS e mpmp.

Recentemente assumiu a direção artística do Festival de Ópera de Óbidos (Portugal).



Partilhar

Notícias

Acompanhe as Notícias

Foto

Cónego Dr. António Ferreira dos Santos: Uma Vida ao Serviço da Música Sacra e da Igreja

29-06-2026

Homenagear o Cónego Dr. António Ferreira dos Santos é prestar tributo a uma das mais notáveis figuras da música sacra portuguesa contemporânea. A sua vida constitui um exemplo raro de dedicação ao sacerdócio, à cultura, à liturgia e à arte, deixando uma marca profunda na Igreja e na sociedade portuguesa.

Ao lado de Manuel Faria, em Braga, e de Manuel Luís, em Lisboa, forma o trio de referência da História da Música Sacra do século XX em Portugal. A sua obra e ação constituem um dos pilares da renovação do ensino, da prática e da criação musical ao serviço da liturgia, elevando a música sacra portuguesa a um patamar de excelência e reconhecimento internacional.

A sua sólida formação académica testemunha o rigor com que sempre encarou a missão que abraçou. Frequentou o Conservatório de Música do Porto, concluiu o Curso Superior de Órgão e o Curso de Música Sacra da Escola Superior de Música de Munique, na Alemanha, e aperfeiçoou-se no Curso Internacional de Órgão, em Salzburgo, orientado pelo Professor Emil Sauer. Trouxe para Portugal não apenas conhecimento técnico, mas uma visão renovada da música litúrgica que transformou gerações de músicos e comunidades cristãs.

A dimensão da sua obra é verdadeiramente impressionante. Foi fundador do Coro da Sé Catedral do Porto, da Escola Diocesana de Música Litúrgica, do Boletim de Música Litúrgica, do agrupamento de metais e tímpanos Solemnium Concentus, do Coro Polifónico da Lapa, da Orquestra Sine Nomine, do Grupo Coral Douro Canta e da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, da qual foi também diretor.

Como mestre-capela da Sé do Porto, professor, maestro, compositor, organista e pedagogo, formou sucessivas gerações de músicos, regentes, organistas, cantores e compositores. Foi decisivo na criação das licenciaturas e pós-graduações em Música Sacra frequentadas por numerosos portugueses em Ratisbona e Munique, tornando-se uma referência incontornável na formação superior nesta área.

A sua ação estendeu-se igualmente ao património organístico nacional. Foi o grande impulsionador da construção de vários órgãos de tubos, destacando-se os quatro grandes instrumentos da cidade do Porto: o da Sé Catedral, o da Igreja da Lapa, o da Igreja da Senhora da Conceição e o da Igreja Nova de São Martinho de Cedofeita. Como conselheiro do IPPAR para o órgão de tubos, contribuiu decisivamente para a valorização e preservação deste património ímpar.

Desempenhou igualmente relevantes funções nacionais e internacionais: presidiu ao Serviço Nacional de Música Sacra, à Conferência Europeia para a Defesa e Promoção da Música da Igreja, integrou o Conselho Científico da Escola Superior de Música do Porto, participou na Comissão Interministerial para a Reforma do Ensino Artístico e presidiu ao júri governamental que distinguiu as maiores revelações musicais do país.

Enquanto compositor, legou obras de profundo significado espiritual e artístico. Entre elas destaca-se o monumental Requiem em memória do Infante D. Henrique, o primeiro de grande dimensão coral-sinfónica escrito em língua portuguesa, bem como a obra Portugal, composta em homenagem às vítimas da queda da Ponte das Barcas.

O reconhecimento público da sua extraordinária dedicação traduziu-se em inúmeras distinções, entre as quais a Medalha de Ouro da Cidade do Porto, a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Santo Tirso, a condecoração de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, a Grã-Cruz de Mérito Cultural da República Federal da Alemanha e a eleição como sócio da Academia Nacional de Belas Artes.

No passado dia 28 de junho, a Igreja da Lapa acolheu uma significativa celebração de ação de graças em sua homenagem. O Coro Polifónico da Lapa, acompanhado pelo Quinteto de Metais e Tímpanos da Lapa e pelo monumental órgão de tubos daquela igreja, um instrumento cuja existência tanto lhe deve, interpretou um programa que reuniu obras do próprio homenageado e quatro dos mais sublimes motetes de Anton Bruckner: Ecce Sacerdos Magnus, Ave Maria, Os Justi e Tota Pulchra es, Maria - “Tu és toda bela, Maria”.

A escolha deste repertório revestiu-se de um profundo significado. As palavras de Ecce Sacerdos Magnus «Eis o grande sacerdote que, nos seus dias, agradou a Deus e foi encontrado justo.» parecem descrever, com admirável fidelidade, o percurso de uma vida totalmente entregue ao serviço de Deus, da Igreja e da música.

Do mesmo modo, as palavras de Os Justi «A boca dos justos profere a sabedoria, e a sua língua anuncia a justiça; a lei do seu Deus está no seu coração.» refletem de forma particularmente feliz a personalidade, o testemunho sacerdotal e a missão educativa do Cónego António Ferreira dos Santos. Ao longo de décadas, a sua palavra ensinou, a sua música evangelizou e o seu exemplo inspirou incontáveis discípulos.

Mais do que um extraordinário músico, maestro ou compositor, o Cónego Dr. António Ferreira dos Santos é um verdadeiro mestre de gerações. A sua visão, o seu saber, a sua exigência artística e a sua fidelidade à missão da Igreja moldaram profundamente a música litúrgica portuguesa contemporânea.

O seu legado permanecerá vivo nas instituições que fundou, nos músicos que formou, nos órgãos que promoveu, nas obras que compôs e, sobretudo, em todos aqueles que aprenderam com ele que a verdadeira música sacra é, antes de tudo, uma forma elevada de oração.

Por tudo isto, o seu nome pertence, com inteira justiça, ao património maior da cultura musical e religiosa de Portugal.

Acresce ainda uma dimensão particularmente marcante da sua ação pastoral e cultural: durante mais de três décadas exerceu o ministério de Reitor da Igreja da Lapa, deixando uma marca indelével na vida daquela comunidade. Sob a sua orientação, a Igreja da Lapa afirmou-se como um dos mais importantes centros de música sacra do país, onde a liturgia sempre foi servida com particular dignidade e excelência artística. Foi igualmente por sua visão e determinação que a instituição passou a contar, de forma permanente, com um Mestre de Capela ao seu serviço, assegurando a continuidade de uma tradição musical de elevado nível, ao serviço da oração, da liturgia e da evangelização.

O Coro Polifónico da Lapa, cuja existência e percurso artístico tanto lhe devem, manifesta a sua mais profunda gratidão ao seu fundador e inspirador. Ao longo de décadas, encontrou no Cónego Dr. António Ferreira dos Santos um mestre exigente, um sacerdote dedicado e um exemplo de fidelidade à Igreja e à beleza da liturgia. A sua confiança, o seu ensinamento e a sua permanente dedicação permitiram que o Coro crescesse como verdadeira comunidade de serviço, colocando os seus talentos ao serviço de Deus e da assembleia litúrgica.

A homenagem prestada constitui, por isso, não apenas um reconhecimento do seu extraordinário percurso, mas também um sincero gesto de gratidão de todos aqueles que tiveram o privilégio de aprender com ele e de com ele partilhar a missão de dignificar a música sacra. Que o seu exemplo continue a inspirar as gerações futuras e que o seu legado permaneça vivo na Igreja, na cultura portuguesa e, de modo muito especial, na Igreja da Lapa, cuja história ficará para sempre ligada ao seu nome.

Filipe Veríssimo, Mestre de Capela da Lapa



Foto: Pedro Couto


Visualizações: 868
Foto

Mais do que Música: o que Construímos Juntos

09-05-2026

Há caminhos que se percorrem com os pés.
E há outros que só se atravessam com alma, coragem e entrega absoluta.

Entre Março e Maio, vivemos uma dessas travessias raras.
Sete concertos. Cinco cidades. Quatro programas distintos. Dois meses de intensidade humana e artística que dificilmente cabem em números mas que ficarão para sempre inscritos na memória de quem os viveu.

Começámos a 14 de Março, na Igreja da Lapa, onde o Nulla in mundo pax sincera, o Magnificat e o Gloria de Antonio Vivaldi abriram este percurso com luz, fé e esperança.

Dias depois, a 17 de Março, a imponência da Casa da Música recebeu a monumental 2.ª Sinfonia de Gustav Mahler, uma obra que exige tudo: técnica, resistência, vulnerabilidade e verdade. E tudo foi dado.

Março terminou e Abril abriu sob a sombra luminosa do Requiem de Wolfgang Amadeus Mozart:
na Casa das Artes de Famalicão,
na Igreja Matriz de São Pedro da Cova,
e novamente na Igreja da Lapa.

Três apresentações. Três encontros diferentes com a mesma eternidade.
Três noites onde a música se tornou silêncio interior, memória e transcendência.

E então Maio trouxe a força telúrica de Carmina Burana, de Carl Orff:
a 7 de Maio no Europarque
e hoje, 9 de Maio, no Teatro Municipal da Guarda.

Mas, pelo meio desta verdadeira maratona artística, houve ainda o compromisso contínuo e silencioso das celebrações dominicais do meio-dia na Igreja da Lapa, momentos menos visíveis, talvez, mas igualmente fundamentais na nossa missão musical e humana.
Com especial emoção, permanecem na memória as celebrações do Domingo da Ressurreição e da Festa de Nossa Senhora da Lapa, vividas com particular intensidade, fé e comunhão.

Mais de 5000 ouvintes cruzaram connosco este caminho.
Mais de 5000 pessoas testemunharam algo que ultrapassa partituras, ensaios, palcos ou aplausos. Porque a verdadeira dimensão deste feito não está apenas na exigência artística alcançada, mas na humanidade que a tornou possível.

Cada músico, cada cantor, cada maestro, cada técnico, cada colaborador, cada pessoa que esteve nos bastidores ou na plateia ajudou a construir algo maior do que um ciclo de concertos: construiu comunidade, memória e sentido.

Foi cansativo. Foi exigente. Por vezes, quase impossível.
Mas a música, quando é feita com verdade, tem esta capacidade extraordinária de unir vontades, superar limites e transformar esforço em beleza.

A todos os que fizeram parte desta caminhada:
obrigado pela disciplina nos dias difíceis, pela generosidade nos momentos decisivos, pela confiança mútua, pela amizade, pela entrega e pela coragem de acreditar que era possível.

O que alcançámos pertence agora à memória destes lugares, destas cidades e destas pessoas.
Mas pertence, acima de tudo, a todos aqueles que ousaram sonhar em conjunto.

E isso ficará muito depois do último acorde se extinguir.

Filipe Veríssimo


Visualizações: 317
Foto

Tradicional Concerto de Natal na Lapa

20-12-2025

O Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa, realizado no dia 13 de dezembro, voltou a reunir música, espiritualidade e comunidade num dos momentos mais aguardados da programação cultural natalícia. A Igreja da Lapa proporcionou o cenário ideal para uma noite marcada pelo profundo simbolismo da época.

A interpretação esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu o concerto com grande sensibilidade musical. O elenco de solistas reuniu as vozes de Alexandra Quinta e Costa (soprano), Ella Feldmeier (mezzo-soprano), Marco Alves dos Santos (tenor) e Hugo Oliveira (baixo), cujas interpretações se destacaram pela expressividade e perfeita integração com a orquestra e o coro.

O núcleo central do repertório foi a Cantata de Natal (1ª parte - Cantatas I e II) de Johann Sebastian Bach, uma das obras mais emblemáticas do período barroco e profundamente ligada à celebração litúrgica do Natal. Estruturada em várias cantatas destinadas aos dias festivos entre o Natal e a Epifania, a obra combina coros de grande solenidade com árias e recitativos de intensa carga espiritual. A música de Bach, simultaneamente majestosa e intimista, convidou o público a uma vivência profunda do mistério do Natal, num diálogo constante entre texto, música e fé.

O Coro Polifónico da Lapa, preparado e dirigido pelo maestro Filipe Veríssimo, teve um papel determinante na construção sonora da obra, revelando uma sonoridade que enriqueceu todo o programa.

O concerto culminou com o tema Adeste Fideles, tradicionalmente atribuído a D. João IV, momento particularmente emotivo que contou com a participação do público. Este gesto simbólico transformou a interpretação final num verdadeiro momento de comunhão, unindo intérpretes e ouvintes num cântico coletivo de celebração e esperança.

A noite encerrou sob fortes aplausos e num ambiente de grande emoção, reafirmando o Concerto de Natal na Igreja da Lapa como uma tradição viva, onde a música se alia ao espírito natalício e à partilha comunitária.


Foto de Capa: @pedro.couto


Excerto do Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa
Som gravado ao vivo pela Orquestra Filarmónica Portuguesa


Visualizações: 774