CPL

info@coropolifonicodalapa.pt
Acompanhe as notícias do CPL

Quando era pequenina tinha sempre dificuldade em perceber o que era o Espírito Santo. O Espírito Santo não é uma história da Bíblia. É a nossa memória trinitária. Vive no presente em cada um de nós. É o cordão umbilical inquebrável que nos une a Deus, que permite que Jesus seja Casa connosco e nós Casa com Ele. E todos nós, repletos de Espírito Santo, somos massa viva e pulsante que forma a unidade da Igreja. Uma Igreja repleta de pecadores, mas também de muita esperança. O primeiro dom de cada existência cristã é o Espírito Santo. Não é um dos muitos dons, mas o Dom fundamental. Ele é a memória de Deus em nós, então saibamos honrar o Pai, praticando o bem. A minha maior arma enquanto cristã é a minha voz e empunho partituras, papel e caneta. Rezo para que seja o Espírito Santo a trabalhar em mim e a inspirar as minhas palavras para que cheguem ao coração dos homens com a Verdade. A palavra , a verdade, são a legitimidade do homem cristão, pois mostram sempre a sua dignidade e o seu caráter. É insusceptível de ser fragmentada. É inteira. É sólida. É pedra. É una. É Espirito Santo. Não há brisa, vento ou tempestade que a possam levar.

O Papa Francisco dizia em homilia: "...na vida haverá dor. Paulo e Silas foram açoitados e sofreram, “mas estavam cheios de alegria, cantavam…”. Isso é juventude. Uma juventude que te faz olhar sempre a esperança. É isso, avante! Mas, para ter essa juventude é necessário um diálogo quotidiano com o Espírito Santo, que está sempre ao nosso lado. É o grande presente que Jesus nos deixou: esse apoio, o que nos faz seguir em frente."

Não é mais estranho para mim, ver pessoas que são sempre alegres, mesmo nos momentos de provação, porque agora sei que é o Espírito Santo presente nelas. Esse é o exemplo que quero seguir.

Que no dia de Pentecostes, Dia do Nascimento da Igreja, Dia da Revelação da Verdade, Dia do Triunfo da Luz sobre as Trevas, o Espírito Santo esteja contigo e comigo, e no dia seguinte, e depois e depois.

O Espírito Santo não entra num coração triste. Sou alegre e canto.

Vivyane Tavares

Visualizações: 1377

O Mensageiro  

Ângelo significa "mensageiro" ou "anjo". É um nome que carrega uma missão celestial. O Padre Ângelo Sequeira, fundador da instituição religiosa da Lapa, recebeu a inspiração de Nossa Senhora da Lapa, a quem foi devoto durante toda a vida, e dedicou-se pela palavra a chamar todos com quem se cruzava a partilharem da sua devoção. Alicerçou a primeira pedra de fé daquela que é hoje a Festa da Nossa Senhora da Lapa, festa em sua honra onde celebramos a sua presença nas nossas vidas, nos nossos corações, e o acolhimento, colo e orientação que nos dá sempre que a si recorremos.

A Tradição

A tradição desempenha um papel fundamental na formação da nossa identidade, ela conecta-nos às nossas raízes, cria um colo de pertencimento e vinca a marca de quem somos e de onde viemos, e como presente para as gerações futuras, as pessoas mantêm vivas as tradições na Igreja da Lapa. Pelas suas modestas e ricas mãos é adornado o altar e todo o edifício sagrado, com as mais delicadas flores. Entram em missão pelos imponentes portais para o sagrado, e perfumam os quatro cantos com a dedicação com que veneram. Quando contemplamos as flores, contemplamos a beleza do amor dos devotos, que oferecem a flor como símbolo da sua entrega de oração e amor. Sempre que da boca do homem é proferida a verdade, são duas vozes que falam, a do homem e a de Deus. A flor representa a estima, o amor, a nossa verdade e o fruto que sobrevirá. Ao oferecermos uma flor, entregamos a nossa alma à Nossa Senhora da Lapa.

A Música

Nossa Senhora da Lapa extravasa o edifício, está nas ruas, na alegria da partilha do pão, seja em forma de farturas quentes e doces, seja em forma de sorrisos generosos que alimentam a alma. A mesa está posta, a comunhão está servida. A música surge neste contexto de entrega e oração. Na Festa onde a comunidade está envolta no manto adornado da Senhora da Lapa que apura todos os sentidos para que todos sintam a sua alma elevada. Aos cânticos tradicionais do Padre Ferreira dos Santos, juntaram-se outros , desta vez, Bruckner com uma sonoridade transcendente na Missa Solene com "Ave Maria" e "Tolta Puchra es", que teve como intérpretes o Coro Polifónico da Lapa, Mariana Araújo, salmista, António Leitão da Silva, solista, Miguel Flecha no oboé, Tiago Ferreira no órgão e o Quinteto de metais e tímpanos da Lapa constituído por Rúben Castro e Flávio Pereira nos trompetes, Nuno Costa na trompa, Tiago Nunes no trombone, Romeu Silva na tuba e Jacob Oliveira nos tímpanos, com direção do Mestre-Capela Filipe Veríssimo. O Salmo com uma mensagem de apelo tão atual hoje, como foi ontem e como será amanhã "Escuta e inclina-te" e o tradicional Concerto Mariano que nos sublimou com obras de Bach, J. Clarke, Handel, J. Stanley, Purcell, C. Saint-Saëns, César Frank, e encerrou as festividades da forma mais graciosa na voz divina da Alexandra Quinta e Costa, no som embaixador do trompete de Rubén Castro e na sonoridade única do majestoso Orgão de Tubos pelas mãos resolutas de Filipe Veríssimo. O espírito da festa propaga-se pelos ecos da história, e tal como as frágeis flores cujo perfume se extingue no momento, o fruto que lhes sobrevirá, esse será sempre vida presente.

Vivyane Tavares

Visualizações: 1291

Sob a batuta hábil e inspiradora do Maestro Osvaldo Ferreira, a 2ª Sinfonia de Mahler "Ressureição" ganhou vida numa série de concertos memoráveis, envolvendo a Orquestra Filarmónica Portuguesa, o Coro Polifónico da Lapa, o Coro Lisboa Cantat e as solistas Cátia Moreso, Bárbara Barradas e Patrícia Quinta. Esta odisseia musical levou os ouvintes por diferentes cenários, desde a grandiosidade da Aula Magna até à serenidade da Igreja da Lapa, passando por Santarém, Viseu e culminando no Europarque, em Santa Maria da Feira.

Em cada local, a música de Mahler foi recebida com reverência e entusiasmo, cativando o público com as suas paisagens sonoras vastas e emocionalmente ricas. A habilidade do Maestro Osvaldo Ferreira em guiar a orquestra, os coros e as solistas através das complexidades desta sinfonia monumental foi verdadeiramente notável.

As cantoras solistas, Cátia Moreso, Bárbara Barradas e Patrícia Quintaadicionaram uma dimensão vocal sublime à obra de Mahler. Com a sua emoção palpável, deram vida aos ricos e complexos temas da sinfonia.

O Mestre Capela e organista titular da Igreja da Lapa, Filipe Veríssimo, reconhecido pela sua maestria no órgão, emprestou uma aura de esplendor aos concertos realizados.

Destaque-se também a contribuição dos coros, cujas vozes acrescentaram uma dimensão vocal impressionante à obra de Mahler. O Coro Polifónico da Lapa e o Coro Lisboa Cantat demonstraram uma expressividade emocional notável, complementando magistralmente a performance da orquestra sob a direção do Maestro Osvaldo Ferreira.

Em cada paragem desta jornada musical, o público foi levado numa viagem emocional profunda. A 2ª Sinfonia de Mahler, sob a direção do Maestro Osvaldo Ferreira, foi mais do que um concerto; foi uma experiência que ficará gravada na memória dos que tiveram o privilégio de testemunhá-la. Este ciclo de concertos não apenas celebrou a genialidade de Mahler, mas também demonstrou a capacidade da música de unir e inspirar pessoas de todas as origens e idades, provando que, mesmo num mundo em constante mudança, a beleza intemporal da música continua a ecoar através dos séculos.

José Seabra

Visualizações: 738

A Irmandade da Lapa e a Rota Porto Liberal promoveram, no passado dia 25 de setembro de 2023, as exéquias em memória de D. Pedro IV. A cerimónia que assinalou o 189º aniversário da morte do “Rei Soldado” contou com a leitura da Oração Fúnebre de Pe. António de Ascensão e Oliveira, proferido na Igreja da Lapa a 24 de setembro de 1856; e com um concerto pela Banda do Exército, destacamento do Porto, Coro Polifónico da Lapa, Ana Sousa Sacramento (soprano) e Filipe Veríssimo (órgão).

Sob a direção de Artur Cardoso, o Coro Polifónico da Lapa interpretou o Glória de John Rutter, a Missa em D, Op. 86, de Antonín Dvorák (1841-1904) e o Hymno da Carta de D. Pedro IV.

Recorde-se que, na véspera da sua morte, a 23 de setembro de 1834, D. Pedro IV (I do Brasil) expressou o desejo de que o seu coração fosse entregue à «heroica cidade do Porto», palco da sua «verdadeira glória», como reconhecimento pelos sacrifícios que os portuenses lhe dedicaram durante o Cerco do Porto (1832-33). Entre os locais possíveis, a escolha recaiu sobre a Igreja da Lapa, uma vez que era aí que, durante o conflito, o monarca encontrava recolhimento e assistia às missas militares.


Rita Santos
(CP 6370)

Visualizações: 267

O Coro Polifónico da Lapa participou, no dia 22 de abril, nas comemorações do 504º aniversário da Misericórdia de Lamego.

Sob a direção de Filipe Veríssimo, mestre-capela da Irmandade de Nossa Senhora da Lapa, o CPL animou, juntamente com o Coro da instituição, a Celebração Eucarística presidida por Dom António Couto, bispo da Diocese de Lamego.

Já pelas 21h30, protagonizou um concerto de Música Sacra no qual foram interpretadas obras de compositores de referência, designadamente, a Missa Solene Op. 16 de Louis Vierne e a Missa Breve nº 7 de Charles Gounod (em conjunto com o Coro da Misericórdia de Lamego). O concerto contou ainda com as interpretações a solo de Alexandra Quinta e Costa (soprano), Ana Maria Fernandez (mandolim), Raquel Martins (traverso) e Sofia Crista (violino). No órgão esteve Tiago Ferreira.

Rita Santos
(CP 6370)

Visualizações: 332

No âmbito das comemorações do bicentenário da independência do Brasil, a Câmara Municipal do Porto, a Irmandade da Lapa e a Rota Porto Liberal celebraram, ontem à noite, em sessão solene na Igreja da Lapa, as exéquias de D. Pedro IV, no dia em que se assinalou os 188 anos do seu falecimento.

A sessão solene contou com a presença do presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, da provedora da Irmandade da Lapa, Manuela Rebelo, presidente da Assembleia Municipal, Sebastião Feyo de Azevedo, ministro da Saúde, Manuel Pizarro, vereadores do Executivo municipal, deputados da Assembleia da República e centenas de pessoas que não quiseram perder a evocação ao rei Soldado.

A sessão solene começou com uma leitura da “Oração Fúnebre nas Exéquias de S. M. I., o Senhor D. Pedro, Duque de Bragança e Regente de Portugal”, de Luiz Moreira Maia da Silva, por Agostinho Ribeiro.

O Conselho de Minerva, organização brasileira que reúne as associações e antigos alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, outorgou depois a Comenda da “Congregação do Colar de Mérito Pedro, o Libertador” à Irmandade de Nossa Senhora da Lapa, recebida pela provedora, Manuela Rebelo. Esta passou a ser a primeira na vasta lista de comendas do Conselho de Minerva, que também condecorou o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, e o Museu Judaico do Porto.

Seguiu-se um concerto oferecido pelo Coro Polifónico da Lapa, em conjunto com a Banda do Exército (destacamento do Porto) sob a direção do capitão Artur Cardoso, contando ainda com a participação do mestre capela e organista titular da Igreja da Lapa, Filipe Veríssimo. Os músicos interpretaram obras de Wagner ("Entrada dos convidados"), Elgar ("Variações Enigma"), Caccini ("Avé Maria", com arranjos de Nuno Costa para coro e orquestra), Gregson ("The kings go Forth") e do próprio D. Pedro IV, nomeadamente o “Hymno da Carta”, para além da "Abertura para a Independência do Brasil".


Notícia: Porto.pt - o portal de notícias do Porto

Foto: Guilherme Costa Oliveira

Visualizações: 444
31 a 36 de 37 registos

Notícias

Acompanhe as Notícias

Foto

Cónego Dr. António Ferreira dos Santos: Uma Vida ao Serviço da Música Sacra e da Igreja

29-06-2026

Homenagear o Cónego Dr. António Ferreira dos Santos é prestar tributo a uma das mais notáveis figuras da música sacra portuguesa contemporânea. A sua vida constitui um exemplo raro de dedicação ao sacerdócio, à cultura, à liturgia e à arte, deixando uma marca profunda na Igreja e na sociedade portuguesa.

Ao lado de Manuel Faria, em Braga, e de Manuel Luís, em Lisboa, forma o trio de referência da História da Música Sacra do século XX em Portugal. A sua obra e ação constituem um dos pilares da renovação do ensino, da prática e da criação musical ao serviço da liturgia, elevando a música sacra portuguesa a um patamar de excelência e reconhecimento internacional.

A sua sólida formação académica testemunha o rigor com que sempre encarou a missão que abraçou. Frequentou o Conservatório de Música do Porto, concluiu o Curso Superior de Órgão e o Curso de Música Sacra da Escola Superior de Música de Munique, na Alemanha, e aperfeiçoou-se no Curso Internacional de Órgão, em Salzburgo, orientado pelo Professor Emil Sauer. Trouxe para Portugal não apenas conhecimento técnico, mas uma visão renovada da música litúrgica que transformou gerações de músicos e comunidades cristãs.

A dimensão da sua obra é verdadeiramente impressionante. Foi fundador do Coro da Sé Catedral do Porto, da Escola Diocesana de Música Litúrgica, do Boletim de Música Litúrgica, do agrupamento de metais e tímpanos Solemnium Concentus, do Coro Polifónico da Lapa, da Orquestra Sine Nomine, do Grupo Coral Douro Canta e da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, da qual foi também diretor.

Como mestre-capela da Sé do Porto, professor, maestro, compositor, organista e pedagogo, formou sucessivas gerações de músicos, regentes, organistas, cantores e compositores. Foi decisivo na criação das licenciaturas e pós-graduações em Música Sacra frequentadas por numerosos portugueses em Ratisbona e Munique, tornando-se uma referência incontornável na formação superior nesta área.

A sua ação estendeu-se igualmente ao património organístico nacional. Foi o grande impulsionador da construção de vários órgãos de tubos, destacando-se os quatro grandes instrumentos da cidade do Porto: o da Sé Catedral, o da Igreja da Lapa, o da Igreja da Senhora da Conceição e o da Igreja Nova de São Martinho de Cedofeita. Como conselheiro do IPPAR para o órgão de tubos, contribuiu decisivamente para a valorização e preservação deste património ímpar.

Desempenhou igualmente relevantes funções nacionais e internacionais: presidiu ao Serviço Nacional de Música Sacra, à Conferência Europeia para a Defesa e Promoção da Música da Igreja, integrou o Conselho Científico da Escola Superior de Música do Porto, participou na Comissão Interministerial para a Reforma do Ensino Artístico e presidiu ao júri governamental que distinguiu as maiores revelações musicais do país.

Enquanto compositor, legou obras de profundo significado espiritual e artístico. Entre elas destaca-se o monumental Requiem em memória do Infante D. Henrique, o primeiro de grande dimensão coral-sinfónica escrito em língua portuguesa, bem como a obra Portugal, composta em homenagem às vítimas da queda da Ponte das Barcas.

O reconhecimento público da sua extraordinária dedicação traduziu-se em inúmeras distinções, entre as quais a Medalha de Ouro da Cidade do Porto, a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Santo Tirso, a condecoração de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, a Grã-Cruz de Mérito Cultural da República Federal da Alemanha e a eleição como sócio da Academia Nacional de Belas Artes.

No passado dia 28 de junho, a Igreja da Lapa acolheu uma significativa celebração de ação de graças em sua homenagem. O Coro Polifónico da Lapa, acompanhado pelo Quinteto de Metais e Tímpanos da Lapa e pelo monumental órgão de tubos daquela igreja, um instrumento cuja existência tanto lhe deve, interpretou um programa que reuniu obras do próprio homenageado e quatro dos mais sublimes motetes de Anton Bruckner: Ecce Sacerdos Magnus, Ave Maria, Os Justi e Tota Pulchra es, Maria - “Tu és toda bela, Maria”.

A escolha deste repertório revestiu-se de um profundo significado. As palavras de Ecce Sacerdos Magnus «Eis o grande sacerdote que, nos seus dias, agradou a Deus e foi encontrado justo.» parecem descrever, com admirável fidelidade, o percurso de uma vida totalmente entregue ao serviço de Deus, da Igreja e da música.

Do mesmo modo, as palavras de Os Justi «A boca dos justos profere a sabedoria, e a sua língua anuncia a justiça; a lei do seu Deus está no seu coração.» refletem de forma particularmente feliz a personalidade, o testemunho sacerdotal e a missão educativa do Cónego António Ferreira dos Santos. Ao longo de décadas, a sua palavra ensinou, a sua música evangelizou e o seu exemplo inspirou incontáveis discípulos.

Mais do que um extraordinário músico, maestro ou compositor, o Cónego Dr. António Ferreira dos Santos é um verdadeiro mestre de gerações. A sua visão, o seu saber, a sua exigência artística e a sua fidelidade à missão da Igreja moldaram profundamente a música litúrgica portuguesa contemporânea.

O seu legado permanecerá vivo nas instituições que fundou, nos músicos que formou, nos órgãos que promoveu, nas obras que compôs e, sobretudo, em todos aqueles que aprenderam com ele que a verdadeira música sacra é, antes de tudo, uma forma elevada de oração.

Por tudo isto, o seu nome pertence, com inteira justiça, ao património maior da cultura musical e religiosa de Portugal.

Acresce ainda uma dimensão particularmente marcante da sua ação pastoral e cultural: durante mais de três décadas exerceu o ministério de Reitor da Igreja da Lapa, deixando uma marca indelével na vida daquela comunidade. Sob a sua orientação, a Igreja da Lapa afirmou-se como um dos mais importantes centros de música sacra do país, onde a liturgia sempre foi servida com particular dignidade e excelência artística. Foi igualmente por sua visão e determinação que a instituição passou a contar, de forma permanente, com um Mestre de Capela ao seu serviço, assegurando a continuidade de uma tradição musical de elevado nível, ao serviço da oração, da liturgia e da evangelização.

O Coro Polifónico da Lapa, cuja existência e percurso artístico tanto lhe devem, manifesta a sua mais profunda gratidão ao seu fundador e inspirador. Ao longo de décadas, encontrou no Cónego Dr. António Ferreira dos Santos um mestre exigente, um sacerdote dedicado e um exemplo de fidelidade à Igreja e à beleza da liturgia. A sua confiança, o seu ensinamento e a sua permanente dedicação permitiram que o Coro crescesse como verdadeira comunidade de serviço, colocando os seus talentos ao serviço de Deus e da assembleia litúrgica.

A homenagem prestada constitui, por isso, não apenas um reconhecimento do seu extraordinário percurso, mas também um sincero gesto de gratidão de todos aqueles que tiveram o privilégio de aprender com ele e de com ele partilhar a missão de dignificar a música sacra. Que o seu exemplo continue a inspirar as gerações futuras e que o seu legado permaneça vivo na Igreja, na cultura portuguesa e, de modo muito especial, na Igreja da Lapa, cuja história ficará para sempre ligada ao seu nome.

Filipe Veríssimo, Mestre de Capela da Lapa



Foto: Pedro Couto


Visualizações: 881
Foto

Mais do que Música: o que Construímos Juntos

09-05-2026

Há caminhos que se percorrem com os pés.
E há outros que só se atravessam com alma, coragem e entrega absoluta.

Entre Março e Maio, vivemos uma dessas travessias raras.
Sete concertos. Cinco cidades. Quatro programas distintos. Dois meses de intensidade humana e artística que dificilmente cabem em números mas que ficarão para sempre inscritos na memória de quem os viveu.

Começámos a 14 de Março, na Igreja da Lapa, onde o Nulla in mundo pax sincera, o Magnificat e o Gloria de Antonio Vivaldi abriram este percurso com luz, fé e esperança.

Dias depois, a 17 de Março, a imponência da Casa da Música recebeu a monumental 2.ª Sinfonia de Gustav Mahler, uma obra que exige tudo: técnica, resistência, vulnerabilidade e verdade. E tudo foi dado.

Março terminou e Abril abriu sob a sombra luminosa do Requiem de Wolfgang Amadeus Mozart:
na Casa das Artes de Famalicão,
na Igreja Matriz de São Pedro da Cova,
e novamente na Igreja da Lapa.

Três apresentações. Três encontros diferentes com a mesma eternidade.
Três noites onde a música se tornou silêncio interior, memória e transcendência.

E então Maio trouxe a força telúrica de Carmina Burana, de Carl Orff:
a 7 de Maio no Europarque
e hoje, 9 de Maio, no Teatro Municipal da Guarda.

Mas, pelo meio desta verdadeira maratona artística, houve ainda o compromisso contínuo e silencioso das celebrações dominicais do meio-dia na Igreja da Lapa, momentos menos visíveis, talvez, mas igualmente fundamentais na nossa missão musical e humana.
Com especial emoção, permanecem na memória as celebrações do Domingo da Ressurreição e da Festa de Nossa Senhora da Lapa, vividas com particular intensidade, fé e comunhão.

Mais de 5000 ouvintes cruzaram connosco este caminho.
Mais de 5000 pessoas testemunharam algo que ultrapassa partituras, ensaios, palcos ou aplausos. Porque a verdadeira dimensão deste feito não está apenas na exigência artística alcançada, mas na humanidade que a tornou possível.

Cada músico, cada cantor, cada maestro, cada técnico, cada colaborador, cada pessoa que esteve nos bastidores ou na plateia ajudou a construir algo maior do que um ciclo de concertos: construiu comunidade, memória e sentido.

Foi cansativo. Foi exigente. Por vezes, quase impossível.
Mas a música, quando é feita com verdade, tem esta capacidade extraordinária de unir vontades, superar limites e transformar esforço em beleza.

A todos os que fizeram parte desta caminhada:
obrigado pela disciplina nos dias difíceis, pela generosidade nos momentos decisivos, pela confiança mútua, pela amizade, pela entrega e pela coragem de acreditar que era possível.

O que alcançámos pertence agora à memória destes lugares, destas cidades e destas pessoas.
Mas pertence, acima de tudo, a todos aqueles que ousaram sonhar em conjunto.

E isso ficará muito depois do último acorde se extinguir.

Filipe Veríssimo


Visualizações: 317
Foto

Tradicional Concerto de Natal na Lapa

20-12-2025

O Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa, realizado no dia 13 de dezembro, voltou a reunir música, espiritualidade e comunidade num dos momentos mais aguardados da programação cultural natalícia. A Igreja da Lapa proporcionou o cenário ideal para uma noite marcada pelo profundo simbolismo da época.

A interpretação esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu o concerto com grande sensibilidade musical. O elenco de solistas reuniu as vozes de Alexandra Quinta e Costa (soprano), Ella Feldmeier (mezzo-soprano), Marco Alves dos Santos (tenor) e Hugo Oliveira (baixo), cujas interpretações se destacaram pela expressividade e perfeita integração com a orquestra e o coro.

O núcleo central do repertório foi a Cantata de Natal (1ª parte - Cantatas I e II) de Johann Sebastian Bach, uma das obras mais emblemáticas do período barroco e profundamente ligada à celebração litúrgica do Natal. Estruturada em várias cantatas destinadas aos dias festivos entre o Natal e a Epifania, a obra combina coros de grande solenidade com árias e recitativos de intensa carga espiritual. A música de Bach, simultaneamente majestosa e intimista, convidou o público a uma vivência profunda do mistério do Natal, num diálogo constante entre texto, música e fé.

O Coro Polifónico da Lapa, preparado e dirigido pelo maestro Filipe Veríssimo, teve um papel determinante na construção sonora da obra, revelando uma sonoridade que enriqueceu todo o programa.

O concerto culminou com o tema Adeste Fideles, tradicionalmente atribuído a D. João IV, momento particularmente emotivo que contou com a participação do público. Este gesto simbólico transformou a interpretação final num verdadeiro momento de comunhão, unindo intérpretes e ouvintes num cântico coletivo de celebração e esperança.

A noite encerrou sob fortes aplausos e num ambiente de grande emoção, reafirmando o Concerto de Natal na Igreja da Lapa como uma tradição viva, onde a música se alia ao espírito natalício e à partilha comunitária.


Foto de Capa: @pedro.couto


Excerto do Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa
Som gravado ao vivo pela Orquestra Filarmónica Portuguesa


Visualizações: 775