
Maria da Silva Mendes é mestre em Canto pela ESMAE e, atualmente, prepara-se para realizar um Concerto de Novos Intérpretes, inserido no Projeto Canção com o pianista João Sousa. Com quem ganhou o Prémio Helena Sá e Costa no ano 2021. No ano transato, venceu o 3º Prémio Jovens Músicos.
Estreou-se no mundo da ópera no Ateliê de Ópera da Metropolitana em 2019/20, interpretando o papel de Adina em L'elisir d'amore, de Donizetti, sob a direção do Maestro Pedro Amaral.
O seu repertório de ópera inclui os seguintes papéis: Fiordiligi, em Così fan tutte de Mozart; Donna Elvira, em Don Giovanni de Mozart; Contessa, em Le Nozze di Figaro de Mozart; Leonor, em Os Noivos de Sá Noronha; Rita, em Rita de Donizetti.
Em concerto com solista, a soprano interpretou obras sacras como o "Exultate Jubilate" de Mozart; "Shéhérazade" de Ravel; "Misa a Buenos Aires" de Palmeri; "Missa Partoral" de Kempter.
Maria Mendes também se destaca na área da Música Antiga, apresentando-se regularmente com o grupo Suave Armonia, com quem gravou um CD, e no duo Vozes do Passado, ao lado de Mariana Santos.
Além disso, é frequentemente convidada para concertos como solista com orquestra e recitais de piano. Na vertente coral, apresenta-se regularmente como reforço no Coro do Teatro Nacional de São Carlos.
Notícias

O Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa, realizado no dia 13 de dezembro, voltou a reunir música, espiritualidade e comunidade num dos momentos mais aguardados da programação cultural natalícia. A Igreja da Lapa proporcionou o cenário ideal para uma noite marcada pelo profundo simbolismo da época.
A interpretação esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu o concerto com grande sensibilidade musical. O elenco de solistas reuniu as vozes de Alexandra Quinta e Costa (soprano), Ella Feldmeier (mezzo-soprano), Marco Alves dos Santos (tenor) e Hugo Oliveira (baixo), cujas interpretações se destacaram pela expressividade e perfeita integração com a orquestra e o coro.
O núcleo central do repertório foi a Cantata de Natal (1ª parte - Cantatas I e II) de Johann Sebastian Bach, uma das obras mais emblemáticas do período barroco e profundamente ligada à celebração litúrgica do Natal. Estruturada em várias cantatas destinadas aos dias festivos entre o Natal e a Epifania, a obra combina coros de grande solenidade com árias e recitativos de intensa carga espiritual. A música de Bach, simultaneamente majestosa e intimista, convidou o público a uma vivência profunda do mistério do Natal, num diálogo constante entre texto, música e fé.
O Coro Polifónico da Lapa, preparado e dirigido pelo maestro Filipe Veríssimo, teve um papel determinante na construção sonora da obra, revelando uma sonoridade que enriqueceu todo o programa.
O concerto culminou com o tema Adeste Fideles, tradicionalmente atribuído a D. João IV, momento particularmente emotivo que contou com a participação do público. Este gesto simbólico transformou a interpretação final num verdadeiro momento de comunhão, unindo intérpretes e ouvintes num cântico coletivo de celebração e esperança.
A noite encerrou sob fortes aplausos e num ambiente de grande emoção, reafirmando o Concerto de Natal na Igreja da Lapa como uma tradição viva, onde a música se alia ao espírito natalício e à partilha comunitária.
Foto de Capa: @pedro.couto
Excerto do Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa
Som gravado ao vivo pela Orquestra Filarmónica Portuguesa