O Requiem em ré menor de Wolfgang Amadeus Mozart é uma das obras mais célebres e comoventes do repertório coral-sinfónico, escrita para quatro solistas, coro e orquestra. Composta nos últimos meses de vida do compositor, a obra adquiriu uma aura quase mítica, marcada tanto pela intensidade da sua música como pelas circunstâncias misteriosas da sua encomenda. Mais do que uma missa fúnebre, o Requiem reflete a fragilidade humana, o medo do julgamento e a esperança de redenção.
A obra alterna momentos de grande dramatismo, como o Dies Irae ou o Confutatis, com passagens de profunda serenidade e contemplação, revelando um extraordinário equilíbrio entre solenidade litúrgica e expressão emocional. Inacabado à data da morte de Mozart, em 1791, foi posteriormente concluído por Franz Xaver Süssmayr, a partir dos esboços do compositor.
O programa inclui ainda o Adagio para Cordas de Samuel Barber, uma das obras mais emocionantes do século XX. Caracterizado por uma melodia lenta e intensa que cresce até um poderoso clímax, tornou-se um símbolo universal de luto, introspeção e homenagem, complementando de forma expressiva o caráter espiritual e contemplativo do Requiem de Mozart.
Samuel Barber (1910 - 1981)
Adagio para Cordas
Wolfgang Amadeus Mozart (1756 - 1791)
Requiem em Ré menor, K. 626
Raquel Paulo, soprano
Paula Morna Dória, mezzo-soprano
Leonel Pinheiro, tenor
João Merino, barítono
Coro Polifónico da Lapa
Filipe Veríssimo, direção do coro
Orquestra Filarmónica Portuguesa
Osvaldo Ferreira, direção musical
Notícias

O Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa, realizado no dia 13 de dezembro, voltou a reunir música, espiritualidade e comunidade num dos momentos mais aguardados da programação cultural natalícia. A Igreja da Lapa proporcionou o cenário ideal para uma noite marcada pelo profundo simbolismo da época.
A interpretação esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu o concerto com grande sensibilidade musical. O elenco de solistas reuniu as vozes de Alexandra Quinta e Costa (soprano), Ella Feldmeier (mezzo-soprano), Marco Alves dos Santos (tenor) e Hugo Oliveira (baixo), cujas interpretações se destacaram pela expressividade e perfeita integração com a orquestra e o coro.
O núcleo central do repertório foi a Cantata de Natal (1ª parte - Cantatas I e II) de Johann Sebastian Bach, uma das obras mais emblemáticas do período barroco e profundamente ligada à celebração litúrgica do Natal. Estruturada em várias cantatas destinadas aos dias festivos entre o Natal e a Epifania, a obra combina coros de grande solenidade com árias e recitativos de intensa carga espiritual. A música de Bach, simultaneamente majestosa e intimista, convidou o público a uma vivência profunda do mistério do Natal, num diálogo constante entre texto, música e fé.
O Coro Polifónico da Lapa, preparado e dirigido pelo maestro Filipe Veríssimo, teve um papel determinante na construção sonora da obra, revelando uma sonoridade que enriqueceu todo o programa.
O concerto culminou com o tema Adeste Fideles, tradicionalmente atribuído a D. João IV, momento particularmente emotivo que contou com a participação do público. Este gesto simbólico transformou a interpretação final num verdadeiro momento de comunhão, unindo intérpretes e ouvintes num cântico coletivo de celebração e esperança.
A noite encerrou sob fortes aplausos e num ambiente de grande emoção, reafirmando o Concerto de Natal na Igreja da Lapa como uma tradição viva, onde a música se alia ao espírito natalício e à partilha comunitária.
Foto de Capa: @pedro.couto
Excerto do Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa
Som gravado ao vivo pela Orquestra Filarmónica Portuguesa