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Igreja da Lapa (Porto) acolhe Requiem de Verdi

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Na tarde do domingo 3 de novembro, após as celebrações de Todos os Santos e Fiéis Defuntos, a igreja da Lapa, no Porto, acolheu, repleta de uma audiência que a encheu até ao Coro, a interpretação da Messa da Requiem de Giuseppe Verdi, por uma conjunto de solistas, coros e orquestra, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira. A associação de três coros (Coro Polifónico da Lapa, dirigido por Filipe Veríssimo, Coro da Associação de Música Sacra de Braga, dirigido por Mariana Certal, e do Coro Pro-Música EMcanto, da Póvoa de Varzim, dirigido por Rui Silva) permitiu uma realização plena da complexa estrutura musical do Requiem, com a interpretação dos solistas Raquel Paulo, soprano, Cátia Moreso, meio-soprano, Sérgio Sousa Martins, tenor e Rui Siva, baixo, com a Orquestra Filarmónica Portuguesa, um conjunto orquestral alargado e complexo, adaptado às características solenes e ao mesmo tempo intimistas da composição de Verdi.

O Requiem de Verdi foi composto à memória do escritor italiano Alessandro Manzoni, autor do conhecido romance I Promessi Sposi (em português com o título Os Noivos), considerado uma obra prima do período romântico e particularmente apreciado por Verdi. O Requiem é uma obra monumental de cerca de hora e meia de duração, seguindo os textos da liturgia dos defuntos do missal romano. Iniciado por uma introdução intimista das palavras do Requiem aeternam, desenvolve-se numa grande variedade de expressões musicais, do sentido meditativo ao aclamativo e denso das palavras, como lux perpetua, salva me fons pietatis, huic ergo parce Deus ou Cum sanctis tuis, Libera me, especialmente valorizadas na interpretação.

O carácter meditativo e intimista que convém à variedade dos sentimentos humanos propostos e traduzidos pelas palavras do hino litúrgico, é associado à dimensão imprecatória do conhecido tema do Dies irae em que o tom operático e solene da escrita do autor se manifestam, quer na totalidade do coro quer na expressividade dos solos.

Há que destacar a exigente interpretação dos solistas. A interpretação do Coro foi claramente reconhecida pelo próprio maestro, que lhes foi oferecer a flores que lhe foram tributadas. Os longos aplausos finais manifestaram o apreço com que a assembleia assinalou a interpretação deste concerto, embora tenha sido pena não se poder dispor da letra dos hinos no programa.

E apesar de a obra ter vindo e ser executada por conjuntos respeitáveis, como o Coro Gulbenkian, a sua presença entre nós, nesta região norte de Portugal, e no quadro do Festival Internacional de Órgão e de Música Sacra, constitui uma afirmação da capacidade da vivência de uma obra ímpar da música sacra e da música universal ser posta, de forma gratuita, ao alcance da população nortenha, sendo de valorizar o empenhamento e dedicação de trabalho que exigiu aos membros dos coros e certamente aos membros da orquestra, aos solistas e ao trabalho de direção e coordenação do conjunto.

Notícia: Voz Portucalense
Artigo disponível: aqui

Foto de Capa: João Lopes Cardoso

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Mais do que Música: o que Construímos Juntos


Ser comunidade… Ser Lapa!


Falecimento do Maestro Álvaro Cassuto


Mahler no 10.º aniversário da Orquestra Filarmónica Portuguesa


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Mais do que Música: o que Construímos Juntos

09-05-2026

Há caminhos que se percorrem com os pés.
E há outros que só se atravessam com alma, coragem e entrega absoluta.

Entre Março e Maio, vivemos uma dessas travessias raras.
Sete concertos. Cinco cidades. Quatro programas distintos. Dois meses de intensidade humana e artística que dificilmente cabem em números mas que ficarão para sempre inscritos na memória de quem os viveu.

Começámos a 14 de Março, na Igreja da Lapa, onde o Nulla in mundo pax sincera, o Magnificat e o Gloria de Antonio Vivaldi abriram este percurso com luz, fé e esperança.

Dias depois, a 17 de Março, a imponência da Casa da Música recebeu a monumental 2.ª Sinfonia de Gustav Mahler, uma obra que exige tudo: técnica, resistência, vulnerabilidade e verdade. E tudo foi dado.

Março terminou e Abril abriu sob a sombra luminosa do Requiem de Wolfgang Amadeus Mozart:
na Casa das Artes de Famalicão,
na Igreja Matriz de São Pedro da Cova,
e novamente na Igreja da Lapa.

Três apresentações. Três encontros diferentes com a mesma eternidade.
Três noites onde a música se tornou silêncio interior, memória e transcendência.

E então Maio trouxe a força telúrica de Carmina Burana, de Carl Orff:
a 7 de Maio no Europarque
e hoje, 9 de Maio, no Teatro Municipal da Guarda.

Mas, pelo meio desta verdadeira maratona artística, houve ainda o compromisso contínuo e silencioso das celebrações dominicais do meio-dia na Igreja da Lapa, momentos menos visíveis, talvez, mas igualmente fundamentais na nossa missão musical e humana.
Com especial emoção, permanecem na memória as celebrações do Domingo da Ressurreição e da Festa de Nossa Senhora da Lapa, vividas com particular intensidade, fé e comunhão.

Mais de 5000 ouvintes cruzaram connosco este caminho.
Mais de 5000 pessoas testemunharam algo que ultrapassa partituras, ensaios, palcos ou aplausos. Porque a verdadeira dimensão deste feito não está apenas na exigência artística alcançada, mas na humanidade que a tornou possível.

Cada músico, cada cantor, cada maestro, cada técnico, cada colaborador, cada pessoa que esteve nos bastidores ou na plateia ajudou a construir algo maior do que um ciclo de concertos: construiu comunidade, memória e sentido.

Foi cansativo. Foi exigente. Por vezes, quase impossível.
Mas a música, quando é feita com verdade, tem esta capacidade extraordinária de unir vontades, superar limites e transformar esforço em beleza.

A todos os que fizeram parte desta caminhada:
obrigado pela disciplina nos dias difíceis, pela generosidade nos momentos decisivos, pela confiança mútua, pela amizade, pela entrega e pela coragem de acreditar que era possível.

O que alcançámos pertence agora à memória destes lugares, destas cidades e destas pessoas.
Mas pertence, acima de tudo, a todos aqueles que ousaram sonhar em conjunto.

E isso ficará muito depois do último acorde se extinguir.

Filipe Veríssimo


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Ser comunidade… Ser Lapa!

07-05-2026

Há coisas que só fazem sentido quando são vividas em conjunto. A comunidade é uma delas.

Na Lapa, aprendemos que pertencer é mais do que estar presente. É cuidar, participar, servir e caminhar lado a lado. É reconhecer que a fé ganha vida no encontro com os outros e que os pequenos gestos, quando feitos com amor, têm um valor imenso.

Ser CPL é precisamente viver esse espírito de proximidade e comunhão. É sentir que cada voz, cada presença e cada contributo ajudam a construir algo maior do que nós próprios. Não somos apenas um coro; somos pessoas unidas pela fé, pela amizade e pela vontade de servir a nossa comunidade.

Foi com esse sentimento que o CPL assumiu a ornamentação do altar de Santo António durante a Festa de Nossa Senhora da Lapa. Mais do que preparar um espaço, foi uma forma simples e sincera de retribuir o carinho com que a comunidade nos acolhe ao longo do ano.

Esta experiência aproximou-nos ainda mais, fortaleceu os nossos laços e recordou-nos da beleza de fazer caminho juntos. Porque, no fim, ser comunidade é isso mesmo: estar disponível, partilhar e construir, uns com os outros, uma casa onde todos se sintam pertencentes.

Ser comunidade é ser Lapa. ❤️


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Tradicional Concerto de Natal na Lapa

20-12-2025

O Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa, realizado no dia 13 de dezembro, voltou a reunir música, espiritualidade e comunidade num dos momentos mais aguardados da programação cultural natalícia. A Igreja da Lapa proporcionou o cenário ideal para uma noite marcada pelo profundo simbolismo da época.

A interpretação esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu o concerto com grande sensibilidade musical. O elenco de solistas reuniu as vozes de Alexandra Quinta e Costa (soprano), Ella Feldmeier (mezzo-soprano), Marco Alves dos Santos (tenor) e Hugo Oliveira (baixo), cujas interpretações se destacaram pela expressividade e perfeita integração com a orquestra e o coro.

O núcleo central do repertório foi a Cantata de Natal (1ª parte - Cantatas I e II) de Johann Sebastian Bach, uma das obras mais emblemáticas do período barroco e profundamente ligada à celebração litúrgica do Natal. Estruturada em várias cantatas destinadas aos dias festivos entre o Natal e a Epifania, a obra combina coros de grande solenidade com árias e recitativos de intensa carga espiritual. A música de Bach, simultaneamente majestosa e intimista, convidou o público a uma vivência profunda do mistério do Natal, num diálogo constante entre texto, música e fé.

O Coro Polifónico da Lapa, preparado e dirigido pelo maestro Filipe Veríssimo, teve um papel determinante na construção sonora da obra, revelando uma sonoridade que enriqueceu todo o programa.

O concerto culminou com o tema Adeste Fideles, tradicionalmente atribuído a D. João IV, momento particularmente emotivo que contou com a participação do público. Este gesto simbólico transformou a interpretação final num verdadeiro momento de comunhão, unindo intérpretes e ouvintes num cântico coletivo de celebração e esperança.

A noite encerrou sob fortes aplausos e num ambiente de grande emoção, reafirmando o Concerto de Natal na Igreja da Lapa como uma tradição viva, onde a música se alia ao espírito natalício e à partilha comunitária.


Foto de Capa: @pedro.couto


Excerto do Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa
Som gravado ao vivo pela Orquestra Filarmónica Portuguesa


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