
O barítono português ANDRÉ BALEIRO, reconhecido pelo seu timbre aveludado e redondo e pela expressividade do seu canto, tem vindo a afirmar-se como um intérprete atento e carismático, aliando uma apurada inteligência musical a uma profunda sensibilidade ao texto.
Iniciou os estudos musicais aos dez anos no Instituto Gregoriano de Lisboa, onde descobriu a sua afinidade com a música vocal e adquiriu uma sólida formação musical e vocal. Licenciou-se em Direção Coral pela Escola Superior de Música de Lisboa, seguindo depois para Berlim, onde estudou Canto na Universidade das Artes com o barítono alemão
Siegfried Lorenz. Frequentou ainda masterclasses com cantores de renome como Tom Krause, Ian Bostridge, Lorenzo Regazzo e José van Dam.
O seu percurso tem sido distinguido com diversos prémios internacionais, entre os quais o 1.o Prémio no Concurso Internacional Robert Schumann (Zwickau, 2016), o «Emerging Artist Award» no Concurso Internacional de Lied DAS LIED (Heidelberg, 2017), o 1.o Prémio no concurso SWR Young Opera Stars (Kaiserslautern, 2019) e os 2.os Prémios no Concurso Internacional de Lied Helmut Deutsch (Viena, 2021) e no Concurso Internacional de Música de Câmara «Franz Schubert e a Música da Modernidade» (Graz, 2022).
Em palco tem interpretado papéis como Pelléas (Debussy: Pelléas et Mélisande), Wolfram (Wagner: Tannhäuser), Don Giovanni (Mozart), Ford (Verdi: Falstaff), Miller (Verdi: Luisa Miller), Conte di Luna (Verdi: Il Trovatore), Valentin (Gounod: Faust), Tarquinius (Britten: The Rape of Lucretia), Orphée (Philip Glass: Orphée) e Figaro (Rossini: Il barbiere di
Siviglia). Apresentou-se no Teatro Nacional de São Carlos, Fundação Gulbenkian e Centro Cultural de Belém, em Lisboa, bem como na Kammeroper München, Teatro Pérez Galdós, em Las Palmas, Ópera de Wrocław e Luzerner Theater.
Trabalhou com maestros como Michel Corboz, Hannu Lintu, Lorenzo Viotti, Peter Dijkstra, Stefan Blunier, Frédéric Chaslin, Graeme Jenkins, Antonio Pirolli, Joana Carneiro, Nabil Shehata, Dinis Sousa, Nuno Coelho e Jonathan Bloxham.
Em concerto, o repertório de Baleiro estende-se de Monteverdi e Bach às grandes obras do Romantismo e do século XX. Inclui as Paixões de Bach, oratórias de Händel, os Requiem de Fauré, Duruflé e Brahms, L’enfance du Christ de Berlioz, Dona nobis pacem de Vaughan Williams, Gurre-Lieder de Schoenberg, Carmina Burana de Orff, Lieder eines fahrenden Gesellen e Des Knaben Wunderhorn de Mahler e Don Quichotte à Dulcinée de Ravel, bem como War Requiem de Britten, e Szenen aus Goethes Faust de Schumann.
O recital de canção de câmara ocupa um lugar central na sua atividade artística e apresenta-se regularmente em programas que percorrem o núcleo central do repertório do Lied e da Mélodie, de Schubert a Mahler e Debussy, até à música dos séculos XX e XXI. A música contemporânea constitui uma vertente importante no seu percurso, encontrando um
particular fascínio nas exigências musicais e dramáticas das novas criações musico-treatais. Criou recentemente o papel de Camões na estreia mundial de Relicário Perpétuo, de Luís Tinoco, e tem estreado obras de compositores como Luca Lombardi, Michael Pelzel, Steffen Schleiermacher, Manfred Trojahn, Vasco Mendonça e Cyrill Schürch. Paralelamente, mantém um forte compromisso com a divulgação da música vocal portuguesa, em particular da obra vocal de Fernando Lopes-Graça, Luís de Freitas Branco e Joly Braga Santos.
Notícias

O Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa, realizado no dia 13 de dezembro, voltou a reunir música, espiritualidade e comunidade num dos momentos mais aguardados da programação cultural natalícia. A Igreja da Lapa proporcionou o cenário ideal para uma noite marcada pelo profundo simbolismo da época.
A interpretação esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu o concerto com grande sensibilidade musical. O elenco de solistas reuniu as vozes de Alexandra Quinta e Costa (soprano), Ella Feldmeier (mezzo-soprano), Marco Alves dos Santos (tenor) e Hugo Oliveira (baixo), cujas interpretações se destacaram pela expressividade e perfeita integração com a orquestra e o coro.
O núcleo central do repertório foi a Cantata de Natal (1ª parte - Cantatas I e II) de Johann Sebastian Bach, uma das obras mais emblemáticas do período barroco e profundamente ligada à celebração litúrgica do Natal. Estruturada em várias cantatas destinadas aos dias festivos entre o Natal e a Epifania, a obra combina coros de grande solenidade com árias e recitativos de intensa carga espiritual. A música de Bach, simultaneamente majestosa e intimista, convidou o público a uma vivência profunda do mistério do Natal, num diálogo constante entre texto, música e fé.
O Coro Polifónico da Lapa, preparado e dirigido pelo maestro Filipe Veríssimo, teve um papel determinante na construção sonora da obra, revelando uma sonoridade que enriqueceu todo o programa.
O concerto culminou com o tema Adeste Fideles, tradicionalmente atribuído a D. João IV, momento particularmente emotivo que contou com a participação do público. Este gesto simbólico transformou a interpretação final num verdadeiro momento de comunhão, unindo intérpretes e ouvintes num cântico coletivo de celebração e esperança.
A noite encerrou sob fortes aplausos e num ambiente de grande emoção, reafirmando o Concerto de Natal na Igreja da Lapa como uma tradição viva, onde a música se alia ao espírito natalício e à partilha comunitária.
Foto de Capa: @pedro.couto
Excerto do Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa
Som gravado ao vivo pela Orquestra Filarmónica Portuguesa