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Nuno Miguel de Almeida

Maestro

Nascido na cidade do Porto em 1993, Nuno Miguel de Almeida iniciou os estudos musicais com 4 anos no Instituto Orff do Porto. Completando-os com 10 anos, ingressou no Conservatório de Música do Porto (C.M.P) onde integrou a classe de Piano de Anne Marie Soares e mais tarde a classe de Arminda Odete. Concluída esta etapa académica, foi admitido na classe de órgão de Paulo Alvim, onde concluiu o curso complementar do Conservatório em Órgão Literatura e Órgão Improvisação/Acompanhamento. Nesta mesma instituição, teve ainda oportunidade de ter como docentes de composição Fernando Valente e Fernando C. Lapa.

Em 2012, ingressou na Universidade de Aveiro onde concluiu a Licenciatura em Direcção, Teoria e Formação Musical.

Em 2016, concluiu V curso de Música Sacra Nacional – vertente Órgão – onde teve como principal coordenador António Esteireiro.

São diversos os cursos de aperfeiçoamento em que participa com regularidade, procurando aperfeiçoar-se nas áreas onde tem uma actividade artística activa – Órgão e Direcção.

Vem a apresentar-se publicamente em diversos pontos do País e no estrangeiro, destacando-se, como organista, os concertos dados nas catedrais de Ourense, Santiago de Compostela, Vigo, entre outras. Em Portugal destaca-se o papel de solista, acompanhado pela Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música do Porto, na execução da Iº Sinfonia em D menor de Alexandre Guilmant, na igreja de Nossa Senhora da Lapa (Porto).

Tornou-se mestre em Direcção Coral pela Universidade de Aveiro, sob orientação de Vasco Negreiros com o projecto intitulado “Da herança à criação”. Tendo como principal efeméride fazer memória dos 400 anos da morte de D. Pedro de Cristo, este projecto contou com a estreia de oito Magnificat, sendo quatro atribuídos a Pedro de Cristo, sobre os quais fez a transcrição e edição critica, e ainda quatro Magnificat contemporâneos dos compositores João Santos, Fernando C. Lapa, Paulo Banaco e Eugénio Amorim. Com o objectivo de dar por concluído este projecto, publicou pela AVA Musical Editions este conjunto de oito obras, oferecendo assim ao serviço da comunidade musical estes exemplos do património artístico Português.

Tem vindo a dirigir diversas formações, tendo como principal foco do seu trabalho, a formação coral. É nesta actividade que se destaca a sua integração na equipa de reactivação da Orquestra Sinfónica de Leiria que, no ano de 2017, juntamente com o Coro do orfeão de Leiria e o Coro de Câmara do orfeão de Leiria, marca o seu ressurgimento executando “Um Natal Português” de quatro conceituados compositores portugueses. Mais recentemente, no Natal de 2018, dirigiu estas mesmas formações executando “Music for the Royal Fireworks” de G. F. Haendel e Te Deum de M. A Charpentier.

Desde o ano de 2016 é Maestro e Director Artístico do Coro orfeão de Leiria e do Coro de Câmara do orfeão de Leiria, onde, entre inúmeras obras corais, executou até ao momento um total de seis obras corais sinfónicas, destacando-se entre elas as estreias nacionais de Ketevan Cantata de Vasco Negreiros e Magnificat do compositor e organista Sietze de Vries.

Exerce também funções de Maestro na Schola Gregoriana da Colegiada de S. Martinho de Cedofeita (Porto), onde procura recuperar e pôr em prática o canto gregoriano ao serviço da liturgia. Ainda nesta instituição, exerce desde o ano de 2005 funções de organista.

É maestro e membro fundador do ensemble Moços do Coro, formação que primordialmente se dedica à prática da Música Antiga e Música Portuguesa. São inúmeros os projectos criados e apresentados que espelham o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por esta formação, entre eles destacam-se “Da herança à criação”, projecto anteriormente descrito; “O evangelho da Infância” que debruça o seu olhar no mistério do Natal fundamentado no evangelho de Lucas e Mateus, que propõe a execução de ricos motetes renascentistas em diálogo com reflexões presentes no livro Catena Aurea de S. Tomás de Aquino; “Erros meus, amor ardente” que sugere um caminhar pelas diversas fases do amor, confrontando motetes renascentistas profanos com a declamação de poemas de Luís Vás de Camões, entre muitos outros projectos de diversas temáticas.

São inúmeros os locais onde tem vindo a apresentar o seu trabalho, estabelecendo parcerias, ou integrando ciclos e festivais, sempre com a perspectiva de dignificar a prática Coral Portuguesa.



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Mais do que Música: o que Construímos Juntos

09-05-2026

Há caminhos que se percorrem com os pés.
E há outros que só se atravessam com alma, coragem e entrega absoluta.

Entre Março e Maio, vivemos uma dessas travessias raras.
Sete concertos. Cinco cidades. Quatro programas distintos. Dois meses de intensidade humana e artística que dificilmente cabem em números mas que ficarão para sempre inscritos na memória de quem os viveu.

Começámos a 14 de Março, na Igreja da Lapa, onde o Nulla in mundo pax sincera, o Magnificat e o Gloria de Antonio Vivaldi abriram este percurso com luz, fé e esperança.

Dias depois, a 17 de Março, a imponência da Casa da Música recebeu a monumental 2.ª Sinfonia de Gustav Mahler, uma obra que exige tudo: técnica, resistência, vulnerabilidade e verdade. E tudo foi dado.

Março terminou e Abril abriu sob a sombra luminosa do Requiem de Wolfgang Amadeus Mozart:
na Casa das Artes de Famalicão,
na Igreja Matriz de São Pedro da Cova,
e novamente na Igreja da Lapa.

Três apresentações. Três encontros diferentes com a mesma eternidade.
Três noites onde a música se tornou silêncio interior, memória e transcendência.

E então Maio trouxe a força telúrica de Carmina Burana, de Carl Orff:
a 7 de Maio no Europarque
e hoje, 9 de Maio, no Teatro Municipal da Guarda.

Mas, pelo meio desta verdadeira maratona artística, houve ainda o compromisso contínuo e silencioso das celebrações dominicais do meio-dia na Igreja da Lapa, momentos menos visíveis, talvez, mas igualmente fundamentais na nossa missão musical e humana.
Com especial emoção, permanecem na memória as celebrações do Domingo da Ressurreição e da Festa de Nossa Senhora da Lapa, vividas com particular intensidade, fé e comunhão.

Mais de 5000 ouvintes cruzaram connosco este caminho.
Mais de 5000 pessoas testemunharam algo que ultrapassa partituras, ensaios, palcos ou aplausos. Porque a verdadeira dimensão deste feito não está apenas na exigência artística alcançada, mas na humanidade que a tornou possível.

Cada músico, cada cantor, cada maestro, cada técnico, cada colaborador, cada pessoa que esteve nos bastidores ou na plateia ajudou a construir algo maior do que um ciclo de concertos: construiu comunidade, memória e sentido.

Foi cansativo. Foi exigente. Por vezes, quase impossível.
Mas a música, quando é feita com verdade, tem esta capacidade extraordinária de unir vontades, superar limites e transformar esforço em beleza.

A todos os que fizeram parte desta caminhada:
obrigado pela disciplina nos dias difíceis, pela generosidade nos momentos decisivos, pela confiança mútua, pela amizade, pela entrega e pela coragem de acreditar que era possível.

O que alcançámos pertence agora à memória destes lugares, destas cidades e destas pessoas.
Mas pertence, acima de tudo, a todos aqueles que ousaram sonhar em conjunto.

E isso ficará muito depois do último acorde se extinguir.

Filipe Veríssimo


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Ser comunidade… Ser Lapa!

07-05-2026

Há coisas que só fazem sentido quando são vividas em conjunto. A comunidade é uma delas.

Na Lapa, aprendemos que pertencer é mais do que estar presente. É cuidar, participar, servir e caminhar lado a lado. É reconhecer que a fé ganha vida no encontro com os outros e que os pequenos gestos, quando feitos com amor, têm um valor imenso.

Ser CPL é precisamente viver esse espírito de proximidade e comunhão. É sentir que cada voz, cada presença e cada contributo ajudam a construir algo maior do que nós próprios. Não somos apenas um coro; somos pessoas unidas pela fé, pela amizade e pela vontade de servir a nossa comunidade.

Foi com esse sentimento que o CPL assumiu a ornamentação do altar de Santo António durante a Festa de Nossa Senhora da Lapa. Mais do que preparar um espaço, foi uma forma simples e sincera de retribuir o carinho com que a comunidade nos acolhe ao longo do ano.

Esta experiência aproximou-nos ainda mais, fortaleceu os nossos laços e recordou-nos da beleza de fazer caminho juntos. Porque, no fim, ser comunidade é isso mesmo: estar disponível, partilhar e construir, uns com os outros, uma casa onde todos se sintam pertencentes.

Ser comunidade é ser Lapa. ❤️


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Tradicional Concerto de Natal na Lapa

20-12-2025

O Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa, realizado no dia 13 de dezembro, voltou a reunir música, espiritualidade e comunidade num dos momentos mais aguardados da programação cultural natalícia. A Igreja da Lapa proporcionou o cenário ideal para uma noite marcada pelo profundo simbolismo da época.

A interpretação esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu o concerto com grande sensibilidade musical. O elenco de solistas reuniu as vozes de Alexandra Quinta e Costa (soprano), Ella Feldmeier (mezzo-soprano), Marco Alves dos Santos (tenor) e Hugo Oliveira (baixo), cujas interpretações se destacaram pela expressividade e perfeita integração com a orquestra e o coro.

O núcleo central do repertório foi a Cantata de Natal (1ª parte - Cantatas I e II) de Johann Sebastian Bach, uma das obras mais emblemáticas do período barroco e profundamente ligada à celebração litúrgica do Natal. Estruturada em várias cantatas destinadas aos dias festivos entre o Natal e a Epifania, a obra combina coros de grande solenidade com árias e recitativos de intensa carga espiritual. A música de Bach, simultaneamente majestosa e intimista, convidou o público a uma vivência profunda do mistério do Natal, num diálogo constante entre texto, música e fé.

O Coro Polifónico da Lapa, preparado e dirigido pelo maestro Filipe Veríssimo, teve um papel determinante na construção sonora da obra, revelando uma sonoridade que enriqueceu todo o programa.

O concerto culminou com o tema Adeste Fideles, tradicionalmente atribuído a D. João IV, momento particularmente emotivo que contou com a participação do público. Este gesto simbólico transformou a interpretação final num verdadeiro momento de comunhão, unindo intérpretes e ouvintes num cântico coletivo de celebração e esperança.

A noite encerrou sob fortes aplausos e num ambiente de grande emoção, reafirmando o Concerto de Natal na Igreja da Lapa como uma tradição viva, onde a música se alia ao espírito natalício e à partilha comunitária.


Foto de Capa: @pedro.couto


Excerto do Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa
Som gravado ao vivo pela Orquestra Filarmónica Portuguesa


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