O Requiem em memória de Camões, composto por Domingos Bomtempo em 1819, destaca-se como uma das criações mais significativas da música portuguesa do século XIX. A obra foi concebida como tributo a Luís de Camões, símbolo maior da literatura nacional, estabelecendo um elo entre a solenidade da música sacra e a exaltação da identidade e da cultura portuguesa.
Inspirado nas formas clássicas de Mozart e Haydn, Bomtempo construiu um tecido musical equilibrado entre coro e orquestra, no qual se alternam passagens de profunda gravidade com momentos de intensa expressividade. Embora respeite a estrutura tradicional da missa de requiem, a composição incorpora um sentimento romântico e um forte impulso patriótico, refletindo o ideal estético e nacionalista do seu autor.
Domingos BOMTEMPO (1775 - 1842)
Requiem ''À Memória de Camões''
Sofia Marafona, soprano
Helena Ressurreição, mezzo
Leonel Pinheiro, tenor
Job Tomé, barítono
Coro Polifónico da Lapa (Filipe Veríssimo, maestro)
Orquestra Filarmónica Portuguesa
Osvaldo Ferreira, direção
Notícias

O Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa, realizado no dia 13 de dezembro, voltou a reunir música, espiritualidade e comunidade num dos momentos mais aguardados da programação cultural natalícia. A Igreja da Lapa proporcionou o cenário ideal para uma noite marcada pelo profundo simbolismo da época.
A interpretação esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu o concerto com grande sensibilidade musical. O elenco de solistas reuniu as vozes de Alexandra Quinta e Costa (soprano), Ella Feldmeier (mezzo-soprano), Marco Alves dos Santos (tenor) e Hugo Oliveira (baixo), cujas interpretações se destacaram pela expressividade e perfeita integração com a orquestra e o coro.
O núcleo central do repertório foi a Cantata de Natal (1ª parte - Cantatas I e II) de Johann Sebastian Bach, uma das obras mais emblemáticas do período barroco e profundamente ligada à celebração litúrgica do Natal. Estruturada em várias cantatas destinadas aos dias festivos entre o Natal e a Epifania, a obra combina coros de grande solenidade com árias e recitativos de intensa carga espiritual. A música de Bach, simultaneamente majestosa e intimista, convidou o público a uma vivência profunda do mistério do Natal, num diálogo constante entre texto, música e fé.
O Coro Polifónico da Lapa, preparado e dirigido pelo maestro Filipe Veríssimo, teve um papel determinante na construção sonora da obra, revelando uma sonoridade que enriqueceu todo o programa.
O concerto culminou com o tema Adeste Fideles, tradicionalmente atribuído a D. João IV, momento particularmente emotivo que contou com a participação do público. Este gesto simbólico transformou a interpretação final num verdadeiro momento de comunhão, unindo intérpretes e ouvintes num cântico coletivo de celebração e esperança.
A noite encerrou sob fortes aplausos e num ambiente de grande emoção, reafirmando o Concerto de Natal na Igreja da Lapa como uma tradição viva, onde a música se alia ao espírito natalício e à partilha comunitária.
Foto de Capa: @pedro.couto
Excerto do Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa
Som gravado ao vivo pela Orquestra Filarmónica Portuguesa