Composta entre 1914 e 1916, “Os Planetas” é uma suite sinfónica com sete andamentos, escritos para uma orquestra de grande dimensão e ainda com coro feminino no último andamento. O ponto de partida de Holst para esta música foi o caráter astrológico de cada planeta. A sua filha escreveu que, uma vez formulada a ideia subjacente, “deixou que a música o atingisse”. as pistas sobre o significado da música são os próprios temas que atribuiu a cada planeta.
O programa é completado pela interpretação de “La Valse”, nos 150 anos do nascimento de Maurice Ravel. Uma das mais emblemáticas obras deste autor, “La Valse” foi concebida como uma homenagem às valsas vienenses de Johann Strauss II e foi classificada pelo autor como um “poema coreográfico”.
Gustav Holst (1874 - 1934)
Os Planetas
Maurice Ravel (1875 - 1937)
La Valse
Vozes Femininas do Coro Polifónico da Lapa
Maestro do Coro: Filipe Veríssimo
Orquestra Filarmónica Portuguesa
Direção: Osvaldo Ferreira
Notícias

O Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa, realizado no dia 13 de dezembro, voltou a reunir música, espiritualidade e comunidade num dos momentos mais aguardados da programação cultural natalícia. A Igreja da Lapa proporcionou o cenário ideal para uma noite marcada pelo profundo simbolismo da época.
A interpretação esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu o concerto com grande sensibilidade musical. O elenco de solistas reuniu as vozes de Alexandra Quinta e Costa (soprano), Ella Feldmeier (mezzo-soprano), Marco Alves dos Santos (tenor) e Hugo Oliveira (baixo), cujas interpretações se destacaram pela expressividade e perfeita integração com a orquestra e o coro.
O núcleo central do repertório foi a Cantata de Natal (1ª parte - Cantatas I e II) de Johann Sebastian Bach, uma das obras mais emblemáticas do período barroco e profundamente ligada à celebração litúrgica do Natal. Estruturada em várias cantatas destinadas aos dias festivos entre o Natal e a Epifania, a obra combina coros de grande solenidade com árias e recitativos de intensa carga espiritual. A música de Bach, simultaneamente majestosa e intimista, convidou o público a uma vivência profunda do mistério do Natal, num diálogo constante entre texto, música e fé.
O Coro Polifónico da Lapa, preparado e dirigido pelo maestro Filipe Veríssimo, teve um papel determinante na construção sonora da obra, revelando uma sonoridade que enriqueceu todo o programa.
O concerto culminou com o tema Adeste Fideles, tradicionalmente atribuído a D. João IV, momento particularmente emotivo que contou com a participação do público. Este gesto simbólico transformou a interpretação final num verdadeiro momento de comunhão, unindo intérpretes e ouvintes num cântico coletivo de celebração e esperança.
A noite encerrou sob fortes aplausos e num ambiente de grande emoção, reafirmando o Concerto de Natal na Igreja da Lapa como uma tradição viva, onde a música se alia ao espírito natalício e à partilha comunitária.
Foto de Capa: @pedro.couto
Excerto do Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa
Som gravado ao vivo pela Orquestra Filarmónica Portuguesa