Entre as grandes obras corais do século XIX, Um Requiem Alemão, de Johannes Brahms, ocupa um lugar de destaque singular. Composta entre 1865 e 1868, esta obra distingue-se das demais por se afastar do texto tradicional da missa católica pelos mortos. Em vez disso, Brahms optou por passagens da Bíblia de Lutero, em alemão, concebendo uma composição que se dirige não aos defuntos, mas aos vivos - uma meditação sobre o consolo e a esperança.
A origem deste Requiem é marcada por uma dimensão profundamente pessoal. A morte de Robert Schumann, mentor e amigo próximo, seguida da perda da sua mãe, deixou em Brahms uma impressão duradoura. Destas experiências nasceu uma música que rejeita a ideia de juízo ou condenação, oferecendo, antes, uma mensagem de serenidade e conforto perante a inevitabilidade da morte. O próprio compositor afirmou: “Chamar-lhe-ia antes um requiem humano.”
Johannes BRAHMS (1833–1897)
Ein deutsches Requiem (Um Requiem Alemão), Op. 45
Nataliya Stepanska, soprano
Job Tomé, barítono
Coro Polifónico da Lapa
Coro da Associação de Música Sacra de Braga
Orquestra Filarmónica Portuguesa
Osvaldo Ferreira, direção
Notícias

O Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa, realizado no dia 13 de dezembro, voltou a reunir música, espiritualidade e comunidade num dos momentos mais aguardados da programação cultural natalícia. A Igreja da Lapa proporcionou o cenário ideal para uma noite marcada pelo profundo simbolismo da época.
A interpretação esteve a cargo da Orquestra Filarmónica Portuguesa, sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira, que conduziu o concerto com grande sensibilidade musical. O elenco de solistas reuniu as vozes de Alexandra Quinta e Costa (soprano), Ella Feldmeier (mezzo-soprano), Marco Alves dos Santos (tenor) e Hugo Oliveira (baixo), cujas interpretações se destacaram pela expressividade e perfeita integração com a orquestra e o coro.
O núcleo central do repertório foi a Cantata de Natal (1ª parte - Cantatas I e II) de Johann Sebastian Bach, uma das obras mais emblemáticas do período barroco e profundamente ligada à celebração litúrgica do Natal. Estruturada em várias cantatas destinadas aos dias festivos entre o Natal e a Epifania, a obra combina coros de grande solenidade com árias e recitativos de intensa carga espiritual. A música de Bach, simultaneamente majestosa e intimista, convidou o público a uma vivência profunda do mistério do Natal, num diálogo constante entre texto, música e fé.
O Coro Polifónico da Lapa, preparado e dirigido pelo maestro Filipe Veríssimo, teve um papel determinante na construção sonora da obra, revelando uma sonoridade que enriqueceu todo o programa.
O concerto culminou com o tema Adeste Fideles, tradicionalmente atribuído a D. João IV, momento particularmente emotivo que contou com a participação do público. Este gesto simbólico transformou a interpretação final num verdadeiro momento de comunhão, unindo intérpretes e ouvintes num cântico coletivo de celebração e esperança.
A noite encerrou sob fortes aplausos e num ambiente de grande emoção, reafirmando o Concerto de Natal na Igreja da Lapa como uma tradição viva, onde a música se alia ao espírito natalício e à partilha comunitária.
Foto de Capa: @pedro.couto
Excerto do Tradicional Concerto de Natal na Igreja da Lapa
Som gravado ao vivo pela Orquestra Filarmónica Portuguesa